Falamos anteriormente da Escola de Frankfurt, uma das mais influentes na visão crítica que se tem hoje da mídia. Quando se diz que "a mídia faz a cabeça das pessoas", trata-se de uma idéia da Escola de Frankfurt que atingiu o senso comum. Agora vamos abordar o paradigma da sociedade de massas, que reúne elementos da Escola de Frankfurt e de outras importante escolas e tendências nos estudos dos MCS.
O PARADIGMA DA SOCIEDADE DE MASSAS
Esse paradigma é formado por uma série de idéias, vindas de diferentes escolas e tendências, das quais destacaremos algumas.
Elas têm em comum a visão de uma sociedade na qual o indivíduo sofre de uma total vulnerabilidade diante dos MCS. Os meios, nesse contexto, são também chamados Meios de Comunicação de Massa (MCM).
Entre tantas metáforas dessa sociedade estariam os filmes “O Show de Truman” e “Matrix” e, ainda, o livro “1984”, de George Orwell, que tem no Grande Irmão seu personagem central, “o grande olho que tudo vê”.
Mas mesmo o Mito da Caverna, genial intuição de Platão, mais de 300 anos antes de Cristo, já mostrava o falseamento que a realidade pode sofrer antes de chegar ao nosso conhecimento. Isso mostra que, mesmo diante da mídia pós-moderna com as novas tecnologias da era globalizada, talvez não estejamos diante de um fato tão novo em sua essência.
A própria ocorrência de UMA SOCIEDADE DE MASSAS, PORÉM, É EM SI OBJETO DE POLÊMICA. Não poucos teóricos recusam-se a aceitar que ocorra realmente tamanha perda de liberdade e individualidade em nossa sociedade; e muito menos que essas perdas se devam aos meios de comunicação.
No entanto, várias teorias sustentam o Paradigma da Sociedade de Massas.
Eis algumas delas:
- TEORIA HIPODÉRMICA, já citada (os MCS como uma seringa que aplicada na “pele” das pessoas injeta um conteúdo – as mensagens - provocando nelas um comportamento pré-determinado)
Designada com termo cunhado por Harold Lasswell em 1948, e desenvolvida também por outros teóricos desde a Escola Funcionalista, essa teoria é hoje quase unanimemente classificada como behaviorista e tida como superada.
- TEORIA CRÍTICA, também citada anteriormente, representada pela Escola de Frankfurt. O ano de 1947 é a data de referência, quando foi publicada a obra “Dialética do Esclarecimento”, com o ensaio “Indústria Cultural – O Iluminismo como mistificação de massa”).
Os críticos dessa teoria afirmam que ela não reflete sobre as possibilidades de reação do indivíduo à Indústria Cultural. A Teoria Crítica, apesar de toda essa argumentação, parece hoje, com a sociedade globalizada, uma profecia com muitas confirmações importantes.
- AGENDA SETTING (construção ou estabelecimento de agenda), teoria elaborada por Maxwell McCombs e Donald Shaw (The agenda setting function of mass media,1972).
Segundo esses pesquisadores, os MCM são dotados da capacidade de “agendamento” dos temas debatidos e comportamentos vividos na sociedade.
Os meios determinam desde os assuntos das conversas mais triviais até o resultado das eleições. Por acumulação de informações veiculadas diariamente (“efeito enciclopédia”), os MCM formam a opinião individual e pública.
- ESPIRAL DO SILÊNCIO. Elisabeth Nouelle-Newman cunhou a expressão e publicou os estudos fundamentais sobre essa teoria entre 1973 e 1984. Os MCM potencializam uma tendência de os indivíduos silenciarem opiniões pessoais quando julgam que essas opiniões não estão de acordo com as opiniões da maioria. Assim, uma opinião sobre determinado tema polêmico, mesmo sendo majoritária na sociedade, pode vir a tornar-se minoritária se não for divulgada pela mídia.
Nos casos em que essa teoria se confirme, vale notar:
a) as fortes conseqüências do efeito Espiral do Silêncio para a democracia,
b) a importância de divulgar as opiniões pessoais e de grupo, que se julgue benéficas e necessárias à sociedade e – com a mesma ênfase - usar a mídia para essa divulgação
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