sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Quadro Geral das Teorias da Comunicação Parte 2: Um grande salto, de Platão e Aristóteles a Ortega Y Gasset, Saussere, Peirce e Barthes, tema sempre presente

Após o post anterior, no qual falei da importância, para os integrantes do grupo Frat&Mídia, de possuir noções gerais sobre teorias da comunicação (tecoms), e propus que este Quadro Geral se tornasse um texto coletivo, indicando ainda as fontes que consultei para escrevê-lo, prossigo mencionando muito brevemente que a comunicação foi abordada já desde os filósofos gregos antigos, que as teorias da comunicação tiveram uma espécie de "pré-história" no século XIX, e citando os pais da semiologia e da semiótica.

1) A COMUNICAÇÃO DESDE OS MAIS REMOTOS REGISTROS. UM SALTO

É claro que se pode estudar comunicação desde os mais remotos registros históricos, por exemplo, o discurso como verdade, em Platão, e a retórica como persuasão, em Aristóteles. Mas nosso objetivo é apresentar ou recordar elementos teóricos que sirvam como base comum entre nós – agentes que propõem a Fraternidade na comunicação – e os nossos interlocutores – colegas, professores, alunos e outros que tenham sensibilidade a essa proposta.

Portanto, para sermos mais objetivos, daremos um enorme salto até o período das décadas de 20 a 40 do século passado. Vejam que é uma lacuna enorme, que não pode deixar de ser preenchida a posteriori por quem sentir necessidade. Basta ver que saltamos as revoluções sociais e tecnológicas que geraram a cultura de massa na qual estamos inseridos. A expressão “cultura de massas”, aliás, não é aceita por todos, e por muitos é considerada como inadequada por relegar o indivíduo a uma condição de passividade excessiva. O fato é que nos interessa esta sociedade, onde o consumo é acessível a multidões, o avanço tecnológico é vertiginoso e, principalmente, onde os meios de comunicação ocupam excepcional destaque. Os MCS são na nossa sociedade uma das instituições fundamentais, se não a mais determinante da vida social.

Pois, então, sobre os MCS atuantes nesta nossa sociedade começaram a ser desenvolvidos estudos mais sistematicamente apenas a partir das décadas de 1920/40 como dissemos. Por quê? Porque até então a comunicação não havia aparecido como problema que pudesse se constituir em objeto de estudo. A imprensa era uma instituição importante, porém, ainda sem a supremacia que têm os MCS hoje sobre outras instituições que constituíram as bases da civilização ocidental - a família, o Estado, a Igreja, a escola.

Avançaremos a partir daqui com pinceladas, indicando - às vezes apenas por tópicos – os temas, datas, escolas, tendências, autores, conceitos, teorias e outras informações que merecem registro, sem necessariamente observar uma ordem cronológica ou encadeamento metodológico. Vale observar que o próprio agrupamento de teorias e autores em escolas e tendências não é sempre consensual, sendo, por exemplo, freqüentemente colocados numa mesma escola autores que discordam sobre temas fundamentais. Importante lembrar também que a própria comunicação ainda busca se firmar como ciência, numa caminhada espistemológica , como dizem os especialistas.

¬2) A “PRÉ-HISTÓRIA” DAS TEORIAS DA COMUNICAÇÃO

Vale registrar que a reflexão sociológica e filosófica já a partir do século XIX serviu como terreno fértil para os primeiros estudos sobre comunicação. Principalmente a partir da segunda metade daquele século, houve uma espécie de “pré-história” das Teocoms, escrita por autores de grande erudição. Mesmo não dedicados especificamente ao estudo dos meios de comunicação – alguns conviveram apenas com a imprensa -, eles denunciavam uma era de “barbárie” para a cultura. Estavam horrorizados com a decadência que a incipiente produção em série causava aos bens culturais. Eis alguns daqueles intelectuais: Alexis de Tocqueville (1805-1859), Friderich Nietsche (1844-1900); T.S Eliot (1888-1965); Georges Duhamel (1884-1966), Ortega Y Gasset (1883-1955), Egon Friedel (?)

3) LINGÜÍSTICA, SEMIOLOGIA, SEMIÓTICA

Aqui, como breve aceno, citamos algumas áreas de estudos que ligam as pesquisas de comunicação com ciências já consolidadas como a Lingüística, e que servem como instrumentos de análise da linguagem utilizada pelos MCS.

O suíço Ferndinand Saussure, com o livro “Curso de Lingüística Geral”, publicado em 1916 pelos seus alunos, é considerado o pai da Lingüística moderna, ligada às Ciências Humanas.

A maior contribuição de Saussure foi afirmar que existe uma ciência geral dos signos, a Semiologia, que seria, inclusive, mais ampla que a própria Lingüística.

A Semiologia se ocuparia, então, de estudar os signos na vida social.

Segundo Saussure, OS COMPONENTES DO SIGNO SÃO:

SIGNIFICADO E SIGNIFICANTE

Saussure faz ainda uma importante distinção entre LÍNGUA E FALA:

A LÍNGUA é uma instituição social, um sistema organizado de sinais que exprimem idéias.

Já a FALA é um ato individual, um uso social da LÍNGUA, que pode modificá-la (os neologismos e as gírias são exemplos do dinamismo da FALA).

Na mesma época de Saussure, Charles Sanders Peirce aparece como pioneiro da SEMIÓTICA, ciência que teria como objetivo classificar todos os tipos de signos e não apenas os lingüísticos. Para Peirce, mais importante que o signo é a interpretação que se faz do signo.

Entre outros nomes de referência no estudo da linguagem e dos signos estão L. Hjelmslev, Roman Jakobson e Chomsky

ROLAND BARTHES, no importante livro ELEMENTOS DE SEMIOLOGIA (1964) sintetiza o legado desses autores, dando uma visão geral dessa ciência e dos instrumentos necessários à pesquisa semiológica.

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