Continuamos falando do Paradigma da Sociedade de Massas, segundo o qual, as pessoas se comportom em blocos, coletivamente, com pouco espaço para a individualidade. E essa uniformidade comportamental é sustentada pela mídia. Mesmo recebendo, com razão, a crítica de ser reducionista, esse paradigma detecta interessantes mecanismos, especialmente, na produção das mensagens. (Você pode acompanhar esse resumo desde o primeiro post no qual explicamos a idéia que nos levou a publicá-lo no contexto da "Proposta da Faternidade na Mídia", e a partir do qual apresentamos as Teorias da Comunicação numa sequência que mescla a ordem cronológica e a evolução dos estudos sobre a mídia, desde os anos 1920/1940).
- NEWSMAKING (criação da notícia). Reúne estudos na área da sociologia das profissões, no caso a jornalística. São pesquisas sobre a cultura profissional do jornalismo. É uma vertente que, embora não seja assumida oficialmente por autores bem definidos, é trabalhada transversalmente por vários teóricos desde 1947 a partir de estudos sobre “GATEKEEPING” desenvolvidos pelo funcionalista Kurt Lewin.
O Gatekeeping (“gatekeeper” é “porteiro” em inglês) seria uma SELEÇÃO “involuntária” (por parte dos jornalistas) DO QUE DEVE OU NÃO TORNAR-SE NOTÍCIA.
Lewin comparou a chegada de notícias enviadas por telégrafo à redação de um grande jornal estadunidense com as que eram publicadas no dia seguinte. Ele observou que os critérios de publicação não eram tão objetivos como se poderia esperar (baseado apenas no atendimento ao público leitor) e dependeriam de fatores difusos ligados à subjetividade dos jornalistas:
Segundo aquela pesquisa, os critérios de publicação seriam:
-Autoridade institucional e eventuais sanções/punições
- Fidelidade e estima aos superiores
- Aspirações à mobilidade social por parte dos profissionais
A reflexão sobre o newsmaking e o gatekeeping levam ao conceito de NOTICIABILIDADE, ou seja, o potencial que determinado fato tem de tornar-se notícia.
Eis alguns CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE mais freqüentemente indicados por vários autores que tratam do tema:
- Importância (alteração que a notícia pode causar na vida das pessoas)
- Atualidade/Novidade
- Proximidade (do fato em relação ao público)
- Impacto nacional
- Impacto internacional
- Quantidade (de sujeitos/objetos de notícia envolvidos)
- Impacto negativo
- Raridade
- Curiosidade (Ex.: Amus Cummings, editor do New York Sun, disse a célebre frase: “Se um cachorro morde um homem, não é notícia, mas, seu um homem morde um cachorro, é notícia”.
- Interesse específico (para determinado público)
- Condições técnicas de transformação das informações em notícia
Exemplos: 1) um fato importante, mas sem uma imagem impactante, de boa qualidade técnica, pode ter obstáculos para tornar-se uma notícia televisiva;
2) uma notícia, mesmo relevante, que chega à redação em um release mal escrito tem grandes possibilidades de não ser publicada
Poderíamos acrescentar tantos outros critérios, como o de anunciar tendências para o futuro, por exemplo.
De qualquer forma, todos esses critérios estão atrelados ao que a notícia pode agregar comercialmente.
Portanto, VENDER MAIS jornais e aumentar as audiências no rádio, TV e Internet acabam sendo O GRANDE CRITÉRIO DE NOTICIABILIDADE, que engloba todos os outros.
Aprofundando, porém, a reflexão despertada pelos estudos de Lewin, podemos dizer que um forte fator que também influencia na noticiabilidade envolve a cultura profissional dos jornalistas, incluindo desde opiniões e preferências pessoais, até o apoio e proteção a colegas e amigos. No dizer mais técnico de Antonio Holfeldt, um dos autores do livro “Teorias da Comunicação – Conceitos, Escolas e Tendências”: “A cultura profissional [dos jornalistas] é um emaranhado de retóricas e táticas, códigos, estereótipos e símbolos relativos aos meios de comunicação de massa, que criam e mantêm paradigmas profissionais e de auto-imagem”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário