sábado, 19 de fevereiro de 2011

A teoria matemática da comunicação (Shannon & Weaver)

Outro dia, uma amiga minha, jornalista e professora universitária, mencionou de passagem Shannon & Weaver, e eu resolvi refrescar os registros da minha memória acerca desses pioneiros das Teorias da Comunicação (Teocoms). Corri então ao meu "História das Teorias da Comunicação" (Loyola), de Armand e Michelle Mattelart - porém, ressalvo que este post não se trata de mais um trecho do meu "Quadro Geral das Tecoms, que prometo retomar em breve, mas sim, de um "parêntese". Mencionar Shannon & Weaver significa lembrar a publicação do trabalho de Claude Elwod Shannon, "A Teoria Matemática da Comunicação", acrescida dos comentários de Warren Weaver. Nessa publicação, em 1949, pela Universidade de Illinois, Shannon, matemático e engenheiro eletricista da Bell/AT&T, e Weaver, que durante a Segunda Guerra Mundial coordenou uma pesquisa sobre grandes máquinas de calcular, tornaram famosa uma visão do processo de comunicação que influenciou muitas escolas - opostas, inclusive - de pesquisas na área influentes até hoje. O famoso modelo "Emissor - Mensagem - Receptor" é uma simplificação do sistema proposto por Warren & Weaver, a saber: 1) Fonte (de informação); 2) Codificador ou emissor; 3) Canal; 4) Decodificador ou receptor; 5) Destinação (pessoa ou coisa à qual a mensagem é transmitida). Segundo esse modelo, o problema da comunicação consiste em "reproduzir em um ponto dado, de maneira exata ou aproximativa, uma mensagem selecionada em outro ponto". A idéia de tratar essa questão em termos matemáticos tem a ver com o objetivo de medir o custo de uma mensagem entre dois pontos desse sistema, mesmo em meio a "perturbações aleatórias" (ruídos). Procurando reduzir essas perturbações, haverá menos custo e maior aproveitamento da mensagem, ou seja, a comunicação será mais proveitosa. A "Teoria Matemática da Comunicação" foi muito útil no trabalho de transposição de conceitos das ciências exatas, já consolidados e aceitos, para os estudos da comunicação, que estavam nos primórdios e precisavam de respaldo científico. Posteriormente, muitas pesquisas em comunicação se utilizaram de conceitos como "ruído", "codificação" e "decodificação" para investigações e reflexões também nas áreas das ciências humanas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eco, Swingewood e Tofler: apocalípticos e integrados na terceira onda


Olá!
Este é meu primeiro post de 2011. O último foi em 6 de dezembro do ano passado, sobre a vinda de um grande pesquisador da área da Análise do Discurso ao  Brasil. Volto a publicar trechos do Quadro Geral das Teorias da Comunicação, que elaborei a partir de minhas leituras sobre o tema, e cuja introdução pode ser lida em  http://migre.me/3Sv09 . Ao último trecho desta série, que postei em 26 de dezembro de 2010, dei o título de "Barthes, Morin e Baudrillard; Kristeva, Metz e Bordieu; Virilio, Sfez e Maffesoli, P. Levy, Wolton e Debord", dando pinceladas acerca desses teóricos do pensamento francês contemporâneo. Hoje continuo com Umberto Eco (Apocalípticos e Integrados, 1964), Alan Swingewood ("O Mito da Cultura de Massa," 1978) e Alvin Tofler (A Terceira Onda, 1981).

10) UMBERTO ECO

O pesquisador italiano Umberto Eco também publicou artigos na Revista Communications, dos pensadores franceses citados no post anterior.

Autor do livro “APOCALÍTICOS E INTEGRADOS” (1964), Eco taxava de “APOCALÍPTICOS” os teóricos que seguiam a linha da ESCOLA DE FRANKFURT, acusando-os por um pessimismo excessivo e por não analisarem a cultura de massas (CM) em toda complexidade que ela apresenta.

Segundo ele, a CM tem uma legitimidade histórica por resultar de uma ascensão social das massas, independentemente do conteúdo das mensagens.

Denominava, por outro lado, de “INTEGRADOS” os seguidores da Escola FUNCIONALISTA por considerá-los passivos em relação à cultura de massa.

Propõe a substituição da própria expressão “cultura de massas” por “comunicação de massa”.

Eco sustenta que se deve estudar a cultura de massas nas suas características de “efemeridade” e “reprodutibilidade”.

Também afirma que a análise da cultura de massa deve ter como objeto de estudo a mensagem e não os meios.

Esse estudo teria por nome “ANÁLISE ESTRUTURAL DA MENSAGEM” e levaria em conta:

a)     a linguagem dos bens culturais
b)    a forma como são percebidos e interpretados pelos receptores
c)     o contexto cultural em que se inserem
d)    o pano de fundo político e social



11) ESCOLA PROGRESSISTA-EVOLUCIONISTA

- Os teóricos dessa escola seriam certamente acusados de “integrados” pelo italiano Eco.

- Adeptos do neoliberalismo pós-industrial, tal como defendido pela ex-primeira-ministra da Inglaterra, Margareth Tatcher, e pelo ex-presidente estadunidense Ronald Reagan, eles entendem que na sociedade pós-industrial, não apenas as elites, mas as massas têm acesso pleno à cultura.

ALAN SWINGEWOOD (“O MITO DA CULTURA DE MASSA”, 1978) AFIRMA QUE:

- a massa é constituída por todos os indivíduos da sociedade

- a noção de que a massa deve receber produtos culturais de baixo nível é um mito criado pelos críticos da CM.

- o gosto pessoal é valorizado na CM, gerando a segmentação na produção dos bens culturais

- a educação generalizada, universalizada, aumenta a participação política num processo “inevitável e revolucionário”

- OCORRE ENTÃO A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO, com uma UNIFICAÇÃO DE TODOS OS EXTRATOS SOCIAIS.

ALVIN TOFLER (“A TERCEIRA ONDA – DESMASSIFICANDO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA”, 1981) teoriza:

- Na Primeira Onda, antes da primeira Revolução Industrial (RI), quando a comunicação era feita no seio de instituições como a família, a escola, o Estado, a Igreja e ainda nos locais de trabalho, O CONSENSO ERA DITADO POR AUTORIDADES que representavam essas instituições

- A Segunda Onda vem com a RI, e O CONSENSO PASSA A SER DADO PELOS QUE CONTROLAM  A IMPRENSA e, mais tarde, os demais MCS.

- Já a TERCEIRA ONDA chega com a sociedade pós-industrial. Ocorre então, um enorme aumento no fluxo de informação e a participação cada vez maior do receptor no processo comunicativo.

- Idéias, crenças, atitudes e ideologias tornam-se temporários.

- O CONSENSO SE DESPEDAÇA.

- SEM O CONSENSO, o indíviduo ganha finalmente a liberdade para pensar e escolher.

- Na sociedade pós-industrial, o fenômeno da segmentação é muito forte e as mensagens dos meios são orientadas especificamente para grupos (segmentos da população) cada vez mais isolados entre si.

- A leitura desse fato pela Escola Progressista-Evolucionista, entretanto, é positiva: a segmentação dos bens culturais é um sinal de que são atendidas as necessidades particulares de cada público e até do indivíduo.