segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tecoms* 7 - Barthes, Morin e Baudrillard; Kristeva, Metz e Bourdieu; Virilio, Sfez e Maffesoli; P. Levy, Wolton e Debord

* Teorias da Comunicação

Prosseguimos com o nosso “Quadro Geral das Teorias da Comunicação.

9) O PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO FRANCÊS EM COMUNICAÇÃO

- Vale lembrar a já citada inadequação metodológica da didática de agrupar estudiosos em escolas, tendências etc, sobretudo ao falarmos do que foi e é produzido recentemente entre os teóricos franceses - ou radicados na França -, pois tais autores com freqüência divergem entre si.

- Porém, em comum, podemos dizer que os teóricos franceses são marcados pela cultura intelectual do pós-estruturalismo e da “desconstrução” do saber, predominante atualmente na França.

O ESTRUTURALISMO, linha de estudos iniciada pelo antropólogo Claude Lévis-Strauss, também francês, indica a importância da estrutura como sistema de relações (parentesco, troca econômica etc) na sociedade baseada em oposições binárias (amigo/inimigo, rico/pobre...)

Os teóricos franceses contemporâneos da comunicação podem, muitas vezes, ser definidos como “pós-estruturalistas” porque rejeitam essa “binariedade”, sustentando que as relações sociais seriam muito mais complexas

- O ano de 1960 foi um marco para eles, com a fundação do Centro de Estudos de Comunicação e Massas (Cecmas).

- Em 1968, o Cecmas lançou a Revista Communications, na qual autores como Roland Barthes, Edgar Morin, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Christian Metz, entre outros, passaram a publicar seus textos.

- Há TRÊS EIXOS DE ESTUDOS da comunicação explorados pelos intelectuais franceses:

1 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO EXTREMO: não há meios de reduzir os MCS à lógica da utilidade social. Baudrillard é um dos que sustenta essa hipótese

2 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO DE DOMINAÇÃO: a sociedade é dominada por intermédio dos MCS, mas ainda pode ser libertada, se for feito um bom uso desses meios. Partilham dessa linha Pierre Bourdieu, Paul Virilio e Lucien Sfez.

3 - A COMUNICAÇÃO COMO VÍNCULO SOCIAL COMPLEXO: os MCS são um fator de vínculo, ligação entre as pessoas - para o bem (integração social, por exemplo) e para o mal (pedofilia na Internet), e é aí que entra a COMPLEXIDADE; essa interpretação é defendida por Michel Maffesoli, Pierre Levy e Dominique Wolton.

Vamos, então, a pinceladas, MESMOS SE DE FORMA NÃO ORDENADA, sobre alguns desses autores, limitando-nos, devido à riqueza mas também ao caráter polêmico das suas idéias, a acenos, expressões e idéias atribuídas a eles pelo professor Juremir Machado da Silva (PUC-RS), no livro “Teorias da Comunicação – Conceitos, Escolas e Tendências”:

- Pierre Lévy saúda as novas tecnologias como a Internet, afirmando que o mundo virtual supera a pirâmide “um-todos” pelo “processo comunicacional todos-todos”, democratizando a possibilidade de emissão das mensagens

- Já Virilio vê as novas tecnologias com desconfiança. Teme “a ‘ausência de isolamento’, modalidade pós-moderna e sofisticada de encarceramento do ser na ilusão coletiva”.
- Morin afirma que a mídia alimenta-se das mensagens que lhe vêm do mundo que por sua vez é alimentado pelas mensagens que a mídia emite

- Maffesoli diz que a imagem funciona como um totem ao redor do qual comungam os espectadores

- Gui Debord afirma que vivemos numa “sociedade do espetáculo” - que dá, aliás, título a seu importante livro de 1967

- Baudrillard fala de “sociedade de consumo”, “maiorias silenciosas” e “estratégias fatais”
- Lévy saúda o “emissor-receptor”

- Já Sfez diz que existe apenas “emissor-receptor-interlocutor-lobotomizado*”

* lobotomia: uma secção (corte) no lobo frontal (região do cérebro) indicada, entre outros casos, em situações de “dores intratáveis de outra forma”, como explica o dicionário Aurélio.
- Pierre Bourdieu, em “Sobre a Televisão” (1997) faz uma investigação sobre o cotidiano do campo jornalístico atribuindo aos jornalistas pelo menos conivência com os procedimentos de dominação dos MCS

- Ainda Sfez fala de “tautismo” expressão forjada com a junção das palavras “tautologia”** e “autismo”

** Tautologia: “Vício de linguagem que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa; (Filos.): Erro lógico que consiste em aparentemente demonstrar uma tese repetindo-a com palavras diferentes”. (Dicionário Aurélio)

- Sfez, Virilio e Baudrillard refletem sobre a idéia de que vivemos numa “sociedade panóptica”, segundo a interpretação do filósofo, também francês, Michel Foucault em sua teorias sobre a poder e vigilância***. Historicamente, o panóptico é um modelo arquitetônico idealizado no século XIX por Jeremy Bentham (1748-1832), com o objetivo confinar pessoas - em fábricas, presídios, hospícios etc. Essas pessoas vêem (e vigiam) outros confinados sem saber se estão sendo vistas ou não.

*** “O Panóptico é uma torre circular oca, com um pátio central, rodeado por pequenas celas orientadas para o centro do círculo. Mesmo fazendo parte do mesmo conjunto, as celas não se comunicam entre si, são separadas por paredes. Na superfície que dá para o exterior, cada cela apresenta uma vasta janela, permitindo entrar a luz. Seu lado oposto é gradeado, permite quem está dentro estar continuamente visível para quem se situe no meio. Dentro desta torre há outra torre, localizada no centro. Lá, ficam os vigilantes observando através de seteiras. O esquema é tal que nunca os confinados sabem se estão sendo vistos ou não. Na incerteza, se vigiam a si mesmos” (FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis, Vozes, 26ª ed., 1987).

- E voltamos a Bourdieu que afirma a existência de uma “circularidade da informação”: “a mídia fala dela mesma; pauta-se por outros veículos da mídia; saiu do acontecimento para entrar no culto à personalidade”.

- Para Morin, entretanto, “ninguém ou quase [ninguém] se encontra destituído de algum poder de intervenção [em relação ao predomínio dos MCS na sociedade]”

Como conclusão deste item número 9 sobre os teóricos franceses contemporâneos, apresentamos a seguinte citação, do professor Juremir mencionado acima: “Mesmo se discordam entre si, os [teóricos] franceses parecem ter um ponto em comum: tudo é comunicação; chegou a hora da comunicação total, da vertigem do signo, da circulação permanente, da avalanche comunicacional, que tudo permeia, contamina, devora, impregna, devasta”.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Minhas Leituras

Queridos amigos e amigas,


[Salto a introdução deste post, que pode ser lida em:
http://migre.me/3R6Uh ]

Segue uma lista de obras lidas, agrupadas por assuntos, a fim de apresentar as áreas de meu interesse, tais quais Teorias da Comunicação, Literatura Universal, Sociologia e Ciências Sociais, entre outras.


Segue a lista, subdvidida em alguns grupos.

Obras sobre Teorias da Comunicação

(incluindo algumas filosóficas e sociológicas que têm servido de base às teorias de comunicação, como as de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Pierre Bordieu; e ainda livros sobre jornalismo e comunicação em geral)

Teorias da Comunicação – Conceitos, escolas e tendências – Holfeldt, Martino, Vera França Vozes

O que é virtual? – Pierre Lévy – Editora 34

As teorias da comunicação – Roberto Elísio dos Santos – Paulinas

História das Teorias da Comunicação – Armand e Michelle Mattelart – Loyola

Teoria da Comunicação de Massa – Luiz Costa Lima (org) – Paz e Terra6 (5ª Ed) - Incluindo alguns dos principais textos clássicos publicados até 1969, data da primeira edição, a saber:

- Indústria Cultural (Theodor Adorno e Max Horkheimer)

- A Obra de Arte na Época de sua reprodutibilidade técnica – Walter Benjamim
- entre outros ensaios clássicos das Teorias da Comunicação dos seguintes autores: Abraha Moles, Paul Lazarsfeld, Robert Merton, David Riesman, Marshall McLuhan, Hebert Marcuse, Edoardo Sanguineti, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Roland Barthes e Erwin Panofsky

Microfísica do Poder – Michel Foucault (Roberto Machado – org) – Graal

A Cultura da Mídia – Douglas Kellner – USC

Guy Debord – A Sociedade do Espetáculo – Comentários sobre a cultura do Espetáculo – Contraponto

Antropológica do Espelho – Muniz Sodré – Vozes

A Identidade Cultural na Pós-Modernidade – Stuart Hall – DP&A

Da Diáspora (leitura quase total) – Stuart Hall – Org.: Liv Sovik – Humanitas UFMG

A Sociedade em Rede – Vol 1.: A era da informação – Manuel Castells – Paz e Terra
O Cinema e a Invenção da Vida Moderna – Leo Charney e Vanessa Schwartz (Orgs.) Cosacnaify

(produzi dois textos a abordando este livro)

Sobre a Televisão – Pierre Bordieu – JZE

A Distinção – Pierre Bordieu – Edusp – Zouk

Revista Cult – Número temático sobre Pierre Bourdieu  – Ago Set 2008

O Mal-estar da Pós-modernidade – Zygmunt Bauman – Zahar

Cultura Híbridas6 – Nestor Garcia Canclini – Edusp

Dos Meios às Mediações – Jesús Martín-Barbero- UFRJ

Sobre a Televisão – Pierre Bordieu JZE

Brasilidade Televisiva e Ritos Reality de Personalização - Suzana Kilpp e Sonia Montaño, professora e aluna de mestrado na Unisinos (Trabalho sobre os programas BBB e Casa dos Artistas apresentado no XXVIIICongresso Brasileiro de Ciências de Comunicação)

Matrix, o Fim do Panóptico – Katia Maciel – ensaio publicado na Revista Lugar Comum: Estudos de Mídia, Cultura e Democracia (ECO – UFRJ) .

Cerca de 150 páginas sobre Sound Studies, linha recente de estudos que procuram dar conta do impacto cultural e social das tecnologias de som, especialmente, na modernidade, mas também a partir de uma história e de uma “arqueologia” do fenômeno sonoro. Trata-se de uma linha de pesquisa que, além de observar as conseqüências das tecnologias do som, como o walkman e o iPod, apontam para as questões da saturação do ambiente sonoro na atualidade e da comunicabilidade humana em crise. São textos em inglês de autores como Jonathan Sterne, Rick Altman, Michel Chion, Emily Thompson, Paul Hegart, Patrick Burkat, Andre Millard, Keir Keightley, Will Straw, Michael Bull, Theodor Adorno, e, ainda, da brasileira Simone de Sá (professora da UFF, que se destaca nessa linha de estudos em nosso País).

Não Contem com o Fim do Livro   - Umberto Eco e Jean-Claude Carrière

Cultura da Convergência  – Henry Jenkins – Aleph

Conversações Gilles Deleuze  – Editora 34

Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem – Marshall McLuhan – Cultrix

O Controle da Opinão Pública - Nilson Lage – Ipej/Vozes

O papel do jornal – Alberto Dines – Summus

O Rádio Sem Onda6 – Marcelo Kischinhevsky

Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia

Abaixo o nada a declarar: O assessor de imprensa na era da globalização – Boanerges Lopes - Zabelê

Notícia: Um Produto à Venda: Jornalismo na Sociedade Urbana e Industrial – Cremilda Medina – Summus (Leitura fichada)

O Planeta Mídia – Dênis de Moraes – Letra Livre

Minha Razão de Viver: Memórias de um Repórter - Samuel Wainer (Biografia) – Record

Cobras Criadas - David Nasser e [a Revista] o Cruzeiro – Luiz Maklouf Carvalho - Senac

Chatô – Rei do Brasil – Fernando Morais – Companhia das Letras 

Deus é Inocente, a imprensa, não - Carlos Dorneles (criticando teorias como a do "choque de civilizações")

Muito Além do Jardim Botânicos (estudo sobre o Jornal Nacional) – Carlos Eduardo Lins e Silva - Summus5

Manual de Radiojornalismo – Heródoto Barbeiro e Paulo Lima - Campus

Manual de Radiojornalismo Jovem Pan – Maria Elisa Porchat

Manual de redação da Folha de S. Paulo*

Manual de redação de O Globo*

Manual de redação de O Estado de S. Paulo*

*Não tenho mais esses livros, portanto, não lembro exatamente os títulos e outras informações da edição.

Telenovela: história de Produção – R.Ortiz, Silvia Borelli, José Mário O. Ramos - Brasiliense

Obras da área da interpretação sociológica e antropológica da cultura brasileira

O Abolicionismo – Joaquim Nabuco

Os Sertões – Euclides da Cunha

Raízes do Brasil – Sergio Buarque de Holanda

Literatura brasileira e universal, filosofia e mitologia

O Livro de Ouro da Mitologia6(consulto sempre como referência) - Thomas Bulfinch - Ediouro

O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder - Cia das Letras

Introdução à Filosofia –Problemas, Sistemas, Autores, Obras – B.Mondim – Paulinas

O Fenômeno Humano – Theilard de Chardin (Leitura parcial)

A Utopia  - Thomas More

Ilíada – Homero

Odisséia – Homero

Eneida – Virgílio

Dom Quixote – Miguel de Cervantes

Os Lusíadas - Camões

A Divina Comédia – Dante

O Príncipe – Maquiavel

Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez

O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint Exupéry

O Homem que Calculava – Malba Tahan

Dom Casmurro – Machado de Assis

Quincas Borba – Machado de Assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Esaú e Jacó – Machado de Assis (leitura parcial)

A Mão e a Luva – Machado de Assis

Viagens de Gulliver – Jonathan Swift

1984 – George Orwell

A Revolução dos Bichos - George Orwell

A Volta ao Mundo em 80 Dias – Julio Verne

O Quinze – Raquel de Queiroz

O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo

O Grande Mentecapto – Fernando Sabino

O Ateneu – Raul Pompéia

O Cortiço – Aluísio Azevedo

Como e por que Ler os Clássicos Universais desde Cedo – Ana Maria Machado

Carlos Drummond de Andrade – Antologia Poética

Os Cem Melhores Poemas do Século XX – Seleção: Ítalo Morriconi

Leituras com meus filhos ( entre tantos outros livros)

20 Mil Léguas Submarinas - Julio Verne**

Viagem ao Centro da Terra - Julio Verne **

** Edições infantis

Sítio do Pica-pau Amarelo – Monteiro Lobato

Polyana Menina – Eleanor Poter

Fábulas de Esopo

Contos dos Irmãos Grimm

Fábulas de La Fontaine

Fábulas de Lenardo da Vinci

Robinson Crusoé – Daniel Defoe

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Teorias da Comunicação - Parte 6: News Making, Gatekeeping, Noticiabilidade


Continuamos falando do Paradigma da Sociedade de Massas, segundo o qual, as pessoas se comportom em blocos, coletivamente, com pouco espaço para a individualidade. E essa uniformidade comportamental é sustentada pela mídia. Mesmo recebendo, com razão, a crítica de ser reducionista, esse paradigma detecta interessantes mecanismos, especialmente, na produção das mensagens. (Você pode acompanhar esse resumo desde o primeiro post no qual explicamos a idéia que nos levou a publicá-lo no contexto da "Proposta da Faternidade na Mídia", e a partir do qual apresentamos as Teorias da Comunicação numa sequência que mescla a ordem cronológica e a evolução dos estudos sobre a mídia, desde os anos 1920/1940).

- NEWSMAKING (criação da notícia). Reúne estudos na área da sociologia das profissões, no caso a jornalística. São pesquisas sobre a cultura profissional do jornalismo. É uma vertente que, embora não seja assumida oficialmente por autores bem definidos, é trabalhada transversalmente por vários teóricos desde 1947 a partir de estudos sobre “GATEKEEPING” desenvolvidos pelo funcionalista Kurt Lewin.

O Gatekeeping (“gatekeeper” é “porteiro” em inglês) seria uma SELEÇÃO “involuntária” (por parte dos jornalistas) DO QUE DEVE OU NÃO TORNAR-SE NOTÍCIA.

Lewin comparou a chegada de notícias enviadas por telégrafo à redação de um grande jornal estadunidense com as que eram publicadas no dia seguinte. Ele observou que os critérios de publicação não eram tão objetivos como se poderia esperar (baseado apenas no atendimento ao público leitor) e dependeriam de fatores difusos ligados à subjetividade dos jornalistas:

Segundo aquela pesquisa, os critérios de publicação seriam:

-Autoridade institucional e eventuais sanções/punições

- Fidelidade e estima aos superiores

- Aspirações à mobilidade social por parte dos profissionais

A reflexão sobre o newsmaking e o gatekeeping levam ao conceito de NOTICIABILIDADE, ou seja, o potencial que determinado fato tem de tornar-se notícia.

Eis alguns CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE mais freqüentemente indicados por vários autores que tratam do tema:

            - Importância (alteração que a notícia pode causar na vida das pessoas)

            - Atualidade/Novidade

            - Proximidade (do fato em relação ao público)
          
            - Impacto nacional

            - Impacto internacional

            - Quantidade (de sujeitos/objetos de notícia envolvidos)

            - Impacto negativo
           
            - Raridade
           
            - Curiosidade (Ex.: Amus Cummings, editor do New York Sun, disse a célebre frase: “Se um cachorro morde um homem, não é notícia, mas, seu um homem morde um cachorro, é notícia”.

            - Interesse específico (para determinado público)


            - Condições técnicas de transformação das informações em notícia
Exemplos: 1) um fato importante, mas sem uma imagem impactante, de boa qualidade técnica, pode ter obstáculos para tornar-se uma notícia televisiva;
                  2) uma notícia, mesmo relevante, que chega à redação em um release mal escrito tem grandes possibilidades de não ser publicada

Poderíamos acrescentar tantos outros critérios, como o de anunciar tendências para o futuro, por exemplo.

De qualquer forma, todos esses critérios estão atrelados ao que a notícia pode agregar comercialmente.

Portanto, VENDER MAIS jornais e aumentar as audiências no rádio, TV e Internet acabam sendo O GRANDE CRITÉRIO DE NOTICIABILIDADE, que engloba todos os outros.

Aprofundando, porém, a reflexão despertada pelos estudos de Lewin, podemos dizer que um forte fator que também influencia na noticiabilidade envolve a cultura profissional dos jornalistas, incluindo desde opiniões e preferências pessoais, até o apoio e proteção a colegas e amigos. No dizer mais técnico de Antonio Holfeldt, um dos autores do livro “Teorias da Comunicação – Conceitos, Escolas e Tendências”: “A cultura profissional [dos jornalistas] é um emaranhado de retóricas e táticas, códigos, estereótipos e símbolos relativos aos meios de comunicação de massa, que criam e mantêm paradigmas profissionais e de auto-imagem”.


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tecoms 5: Sociedade de Massas, Teoria Hipodérmica, Teoria Crítica, Agenda Setting, Espiral do Silêncio...

Falamos anteriormente da Escola de Frankfurt, uma das mais influentes na visão crítica que se tem hoje da mídia. Quando se diz que "a  mídia faz a cabeça das pessoas", trata-se de uma idéia da Escola de Frankfurt que atingiu o senso comum. Agora vamos abordar o paradigma da sociedade de massas, que reúne elementos da Escola de Frankfurt e de outras importante escolas e tendências nos estudos dos MCS.

O PARADIGMA DA SOCIEDADE DE MASSAS




Esse paradigma é formado por uma série de idéias, vindas de diferentes escolas e tendências, das quais destacaremos algumas.



Elas têm em comum a visão de uma sociedade na qual o indivíduo sofre de uma total vulnerabilidade diante dos MCS. Os meios, nesse contexto, são também chamados Meios de Comunicação de Massa (MCM).



Entre tantas metáforas dessa sociedade estariam os filmes “O Show de Truman” e “Matrix” e, ainda, o livro “1984”, de George Orwell, que tem no Grande Irmão seu personagem central, “o grande olho que tudo vê”.



Mas mesmo o Mito da Caverna, genial intuição de Platão, mais de 300 anos antes de Cristo, já mostrava o falseamento que a realidade pode sofrer antes de chegar ao nosso conhecimento. Isso mostra que, mesmo diante da mídia pós-moderna com as novas tecnologias da era globalizada, talvez não estejamos diante de um fato tão novo em sua essência.



A própria ocorrência de UMA SOCIEDADE DE MASSAS, PORÉM, É EM SI OBJETO DE POLÊMICA. Não poucos teóricos recusam-se a aceitar que ocorra realmente tamanha perda de liberdade e individualidade em nossa sociedade; e muito menos que essas perdas se devam aos meios de comunicação.



No entanto, várias teorias sustentam o Paradigma da Sociedade de Massas.



Eis algumas delas:



- TEORIA HIPODÉRMICA, já citada (os MCS como uma seringa que aplicada na “pele” das pessoas injeta um conteúdo – as mensagens - provocando nelas um comportamento pré-determinado)



Designada com termo cunhado por Harold Lasswell em 1948, e desenvolvida também por outros teóricos desde a Escola Funcionalista, essa teoria é hoje quase unanimemente classificada como behaviorista e tida como superada.



- TEORIA CRÍTICA, também citada anteriormente, representada pela Escola de Frankfurt. O ano de 1947 é a data de referência, quando foi publicada a obra “Dialética do Esclarecimento”, com o ensaio “Indústria Cultural – O Iluminismo como mistificação de massa”).



Os críticos dessa teoria afirmam que ela não reflete sobre as possibilidades de reação do indivíduo à Indústria Cultural. A Teoria Crítica, apesar de toda essa argumentação, parece hoje, com a sociedade globalizada, uma profecia com muitas confirmações importantes.



- AGENDA SETTING (construção ou estabelecimento de agenda), teoria elaborada por Maxwell McCombs e Donald Shaw (The agenda setting function of mass media,1972).



Segundo esses pesquisadores, os MCM são dotados da capacidade de “agendamento” dos temas debatidos e comportamentos vividos na sociedade.



Os meios determinam desde os assuntos das conversas mais triviais até o resultado das eleições. Por acumulação de informações veiculadas diariamente (“efeito enciclopédia”), os MCM formam a opinião individual e pública.



- ESPIRAL DO SILÊNCIO. Elisabeth Nouelle-Newman cunhou a expressão e publicou os estudos fundamentais sobre essa teoria entre 1973 e 1984. Os MCM potencializam uma tendência de os indivíduos silenciarem opiniões pessoais quando julgam que essas opiniões não estão de acordo com as opiniões da maioria. Assim, uma opinião sobre determinado tema polêmico, mesmo sendo majoritária na sociedade, pode vir a tornar-se minoritária se não for divulgada pela mídia.



Nos casos em que essa teoria se confirme, vale notar:



a) as fortes conseqüências do efeito Espiral do Silêncio para a democracia,

b) a importância de divulgar as opiniões pessoais e de grupo, que se julgue benéficas e necessárias à sociedade e – com a mesma ênfase - usar a mídia para essa divulgação

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Escola de Frankfurt, de Adorno e Horkheimer (Indústria Cultural), Marcuse, Benjamim, Habermas; e ainda Marshall Mc Luhan, com a Galáxia de Gutemberg, a Aldeia Global e outras idéias poderosas

Já apresentamos as Teocoms (teorias da comunicação) como ferramenta útil aos comunicadores envolvidos com Frat&Mídia/Net One e propomos esse texto como possível texto coletivo, aberto, portanto a contribuições - basta postá-las como comentários. Aludimos a abordagens remotas do tema comunicação e a uma pre-história no século XVIII do que viriam a ser as Teocoms, avançando em seguida com a citação do início dos estudos sobre semiologia e semiótica; e, ainda, com as primeiras pesquisas de viés positivista e ligadas à visão estadunidense, dos anos 20 aos 40. Passemos agora à Escola de Frankfurt que, apesar do nome, desenvolveu-se principalmente, nos Estados Unidos, para onde fugiram seus estudiosos alemães, devido ao nazismo, encontrando uma cultura de consumo ainda mais desenvolvida que em seu país de origem, ideal para a crítica marxista que conceberam sobre os meios de comunicação social (MCS). Neste bloco abordaremos também o famoso teórico canadense Marshall Mc Luhan, que anos 1960 produziu poderosas idéias acerca da mídia, algumas caracterizadas como verdadeiras profecias observáveis hoje em nossa sociedade, como a da "aldeia global".

6) ESCOLA DE FRANKFURT

- Os estudiosos desta escola ANALISARAM, SOB VIÉS MARXISTA, A INFLUÊNCIA DOS MCS NA SOCIEDADE.

- Devido ao nazismo, deixaram a Alemanha e foram para os EUA.

- WALTER BENJAMIN – COM O ENSAIO “A OBRA DE ARTE NA ÉPOCA DE SUA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA” (1936):

- Afirma que a obra de arte possui uma “aura” que se perde com a reprodução impetrada pelos meios de comunicação, que ampliam e consolidam a alienação na sociedade

- Tenta indicar meios de resistir a essa tendência e de realizar a revolução por meio da arte

- THEODOR ADORNO E MAX HORKHEIMER

São conhecidos nos estudos sobre comunicação pelo texto “INDÚSTRIA CULTURAL - O ILUMINISMO COMO MISTIFICAÇÃO DE MASSA” (que integra o livro “Dialética do Iluminismo”, citado muitas vezes como “Dialética do Esclarecimento”, publicado pela primeira vez em 1947.

- O Indústria Cultural é o texto mais influente da Escola de Frankfurt.

- Indica uma desilusão com o Iluminismo que profetizara maior tempo livre graças ao progresso tecnológico e mais liberdade para a fruição dos bens culturais. A profecia não se concretizara e a indústria cultural aprofundou a falta de liberdade, banalizando a cultura.

- O TERMO INDÚSTRIA CULTURAL, cunhado por Adorno e Horkheimer, indica o aparato de produção de bens culturais voltados para alienar as pessoas e aprofundar a dominação das massas pela classe dominante.

- HERBERT MARCUSE

Autor do texto “A Arte na Sociedade Unidimensional” (1967).

Marcuse foi um dos principais ideólogos dos protestos estudantis da década de 1960.

Ele afirma que, na sociedade unidimensional, o ser humano é considerado apenas na sua dimensão de produtividade e eficiência.

A sociedade unidimensional e totalitária absorve todas as “atividades não conformistas”, entre elas, a arte.

Marcuse busca, entretanto, apontar a imaginação e a arte autênticas como faculdades cognitivas capazes de transformar e romper o feitiço da sociedade unidimensional.

CONCLUINDO:

As teorias da Escola de Frankfurt são também denominadas como “Teoria Crítica”.

Os frankfurteanos são questionados muitas vezes por não apresentarem saídas suficientes para os graves fenômenos que denunciam.

Jürgem Habermas é o herdeiro da Escola de Frankfurt, com sua Teoria da Ação Comunicativa.

7) MARSHALL MC LUHAN

Duas de suas principais publicações são:

“A GALÁXIA DE GUTEMBERG” (1962)

“OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO EXTENSÕES DO HOMEM” (1964)

NÃO ENQUADRADO NAS ESCOLAS TRADICIONAIS e, mesmo tendo contra si críticas de que seria um inconseqüente e alegre profeta da sociedade de massas, o canadense Mc Luhan é autor de algumas das mais influentes teorias sobre a comunicação:

- ALDEIA GLOBAL: uma espécie de proximidade entre todos os habitantes da Terra - graças à onipresença da mídia - faz do planeta uma única grande aldeia

- O MEIO É A MENSAGEM – esse conceito nega a neutralidade dos meios em si (TV, rádio, imprensa): não são apenas suportes para a mensagem ou meros aparatos técnicos; trazem em si um efeito imediato, independentemente da mensagem que veiculam; cada meio estabelece uma relação diferente com o ser humano (por exemplo, é possível dirigir ouvindo rádio, mas não se pode ler jornal impresso ao dirigir); e essas diferenças modificam também as relações humanas, principalmente, quando surge uma nova mídia (um exemplo óbvio, recente, é a Internet)

- OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COMO EXTENSÃO DO HOMEM – os meios são, cada vez mais, como prolongamentos dos sentidos do ser humano

- A GALÁXIA DE GUTEMBERG – uma evolução nas formas de aquisição do conhecimento ocorre na humanidade, chegando, com a imprensa, ao “homem gutemberguiano”, individualista na assimilação do saber (por meio da leitura, sem partilha, ao contrário do que acontecia, predominantemente antes da escrita, quando a transmissão conhecimento era oral).

“REENVOLVIMENTO VERBIVOCOVISUAL” (que seria a atual fase de envolvimento do ser humano com a mídia) e “MEIOS QUENTES E FRIOS” são outras importantes chaves de leitura para o pensamento de McLuhan

sábado, 16 de outubro de 2010

Quadro das Teocoms 3: Escola de Chicago, Escola Funcionalista, Mass Communication Research, Lasswell e modelo do processo comunicativo, Teoria Hipodérmica....


Depois da Introdução em que falei da importância das Teorias da Comunicação (Teocoms) para os integrantes do Frat&Mídia/Net One, e da segunda parte, na qual dei pinceladas sobre as reflexões acerca da comunicação desde os gregos antigos aos primeiros estudos sobre lingüística, vamos às pesquisas pioneiras desenvolvidas nos EUA. A numeração prossegue a partir dos posts anteriores.

4) ESCOLA DE CHICAGO (EUA)

No início do Século XX, estudos sobre a influência da imprensa e da propaganda na sociedade em processo de industrialização foram empreendidos principalmente pelo jornalista Robert Ezra Park.

5) ESCOLA FUNCIONALISTA

Também nos Estados Unidos, na década de 1930, consolida-se a Escola Funcionalista. AO LADO DA ESCOLA DE FRANKFURT (DE VIÉS MARXISTA), que abordaremos mais adiante, o Funcionalismo, de viés positivista, é a ESCOLA MAIS IMPORTANTE PARA AS TEOCOMS.

- É bom repetir, então, a ESCOLA FUNCIONALISTA TEM TENDÊNCIA POSITIVISTA;

- Estuda as funções dos MCS, que serviriam para manter o equilíbrio social; ou as disfunções dos meios, como fenômenos que abalam esse mesmo equilíbrio social;

- Robert Merton e Paul Lazarsfeld, no texto “Comunicação de Massa, Gosto Popular e Organização da Ação Social”, do livro “Comunication of Ideas” (1948), indicam FUNÇÕES como:

            - ATRIBUIÇÃO DE STATUS

            - REFORÇO DAS NORMAS SOCIAIS

            E citam ainda a DISFUNÇÃO NARCOTIZANTE

Já Harold Lasswell apresenta o seguinte modelo de funções dos MCS:

            - VIGILÂNCIA (INFORMATIVA: função de alarme)

            - CORRELAÇÃO DAS PARTES DA SOCIEDADE (integração)

            - TRANSMISSÃO DA HERANÇA CULTURAL (educativa)

Outro teórico funcionalista (Charles Wright) fala ainda da função RECREATIVA e afirma que as funções dos MCS podem ser LATENTES ou MANIFESTAS.

[Devemos ainda inserir aqui, de forma mais aprofundada, a teoria do Duplo Fluxo da Comunicação ou Two steps (neste caso: degrau) flow, Teoria dos Efeitos Limitados, que analisa a recepção da produção dos MCS mediada pelos líderes de opinião (primeiro degrau), até chegar às demais pessoas (segundo degrau), desenvolvida por Paul Lazarsfeld e Elihu Katz em “Personal influence: The part played by people in the flow of mass communication” (1955)]

MASS COMMUNICATION RESEARCH

Ainda em 1927, com o livro Propaganda Techniques in the World War, de Lasswell, começam os estudos denominados Mass Communication Research.

São pesquisas de opinião realizadas por estudiosos funcionalistas, desvendando os mecanismos de persuasão dos MCS. Tais estudos foram muitas vezes úteis aos objetivos políticos do Estado e aos interesses econômicos do mercado.


O MODELO DO PROCESSO COMUNICATIVO

Foi Harold Lasswell, aliás, que elaborou em 1948 o famoso esquema do processo da comunicação que conhecemos hoje, com base em cinco perguntas:

Quem?
Diz o quê?
Para quem?
Em que canal?
E com que efeito?

Esse modelo foi simplificado com o esquema:

EMISSOR  - MENSAGEM – RECEPTOR

Observação: Vale notar que já ARISTÓTELES havia elaborado um modelo parecido:

A Pessoa que Fala – O Assunto – A Pessoa a Quem Se Fala

TEORIA HIPODÉRMICA

E o mesmo Lasswell vai criar o conceito de “Agulha Hipodérmica”, segundo o qual as pessoas são totalmente influenciáveis pelos MCS, como se uma seringa atingindo a pele delas provocasse imediatamente um efeito desejado.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Quadro Geral das Teorias da Comunicação Parte 2: Um grande salto, de Platão e Aristóteles a Ortega Y Gasset, Saussere, Peirce e Barthes, tema sempre presente

Após o post anterior, no qual falei da importância, para os integrantes do grupo Frat&Mídia, de possuir noções gerais sobre teorias da comunicação (tecoms), e propus que este Quadro Geral se tornasse um texto coletivo, indicando ainda as fontes que consultei para escrevê-lo, prossigo mencionando muito brevemente que a comunicação foi abordada já desde os filósofos gregos antigos, que as teorias da comunicação tiveram uma espécie de "pré-história" no século XIX, e citando os pais da semiologia e da semiótica.

1) A COMUNICAÇÃO DESDE OS MAIS REMOTOS REGISTROS. UM SALTO

É claro que se pode estudar comunicação desde os mais remotos registros históricos, por exemplo, o discurso como verdade, em Platão, e a retórica como persuasão, em Aristóteles. Mas nosso objetivo é apresentar ou recordar elementos teóricos que sirvam como base comum entre nós – agentes que propõem a Fraternidade na comunicação – e os nossos interlocutores – colegas, professores, alunos e outros que tenham sensibilidade a essa proposta.

Portanto, para sermos mais objetivos, daremos um enorme salto até o período das décadas de 20 a 40 do século passado. Vejam que é uma lacuna enorme, que não pode deixar de ser preenchida a posteriori por quem sentir necessidade. Basta ver que saltamos as revoluções sociais e tecnológicas que geraram a cultura de massa na qual estamos inseridos. A expressão “cultura de massas”, aliás, não é aceita por todos, e por muitos é considerada como inadequada por relegar o indivíduo a uma condição de passividade excessiva. O fato é que nos interessa esta sociedade, onde o consumo é acessível a multidões, o avanço tecnológico é vertiginoso e, principalmente, onde os meios de comunicação ocupam excepcional destaque. Os MCS são na nossa sociedade uma das instituições fundamentais, se não a mais determinante da vida social.

Pois, então, sobre os MCS atuantes nesta nossa sociedade começaram a ser desenvolvidos estudos mais sistematicamente apenas a partir das décadas de 1920/40 como dissemos. Por quê? Porque até então a comunicação não havia aparecido como problema que pudesse se constituir em objeto de estudo. A imprensa era uma instituição importante, porém, ainda sem a supremacia que têm os MCS hoje sobre outras instituições que constituíram as bases da civilização ocidental - a família, o Estado, a Igreja, a escola.

Avançaremos a partir daqui com pinceladas, indicando - às vezes apenas por tópicos – os temas, datas, escolas, tendências, autores, conceitos, teorias e outras informações que merecem registro, sem necessariamente observar uma ordem cronológica ou encadeamento metodológico. Vale observar que o próprio agrupamento de teorias e autores em escolas e tendências não é sempre consensual, sendo, por exemplo, freqüentemente colocados numa mesma escola autores que discordam sobre temas fundamentais. Importante lembrar também que a própria comunicação ainda busca se firmar como ciência, numa caminhada espistemológica , como dizem os especialistas.

¬2) A “PRÉ-HISTÓRIA” DAS TEORIAS DA COMUNICAÇÃO

Vale registrar que a reflexão sociológica e filosófica já a partir do século XIX serviu como terreno fértil para os primeiros estudos sobre comunicação. Principalmente a partir da segunda metade daquele século, houve uma espécie de “pré-história” das Teocoms, escrita por autores de grande erudição. Mesmo não dedicados especificamente ao estudo dos meios de comunicação – alguns conviveram apenas com a imprensa -, eles denunciavam uma era de “barbárie” para a cultura. Estavam horrorizados com a decadência que a incipiente produção em série causava aos bens culturais. Eis alguns daqueles intelectuais: Alexis de Tocqueville (1805-1859), Friderich Nietsche (1844-1900); T.S Eliot (1888-1965); Georges Duhamel (1884-1966), Ortega Y Gasset (1883-1955), Egon Friedel (?)

3) LINGÜÍSTICA, SEMIOLOGIA, SEMIÓTICA

Aqui, como breve aceno, citamos algumas áreas de estudos que ligam as pesquisas de comunicação com ciências já consolidadas como a Lingüística, e que servem como instrumentos de análise da linguagem utilizada pelos MCS.

O suíço Ferndinand Saussure, com o livro “Curso de Lingüística Geral”, publicado em 1916 pelos seus alunos, é considerado o pai da Lingüística moderna, ligada às Ciências Humanas.

A maior contribuição de Saussure foi afirmar que existe uma ciência geral dos signos, a Semiologia, que seria, inclusive, mais ampla que a própria Lingüística.

A Semiologia se ocuparia, então, de estudar os signos na vida social.

Segundo Saussure, OS COMPONENTES DO SIGNO SÃO:

SIGNIFICADO E SIGNIFICANTE

Saussure faz ainda uma importante distinção entre LÍNGUA E FALA:

A LÍNGUA é uma instituição social, um sistema organizado de sinais que exprimem idéias.

Já a FALA é um ato individual, um uso social da LÍNGUA, que pode modificá-la (os neologismos e as gírias são exemplos do dinamismo da FALA).

Na mesma época de Saussure, Charles Sanders Peirce aparece como pioneiro da SEMIÓTICA, ciência que teria como objetivo classificar todos os tipos de signos e não apenas os lingüísticos. Para Peirce, mais importante que o signo é a interpretação que se faz do signo.

Entre outros nomes de referência no estudo da linguagem e dos signos estão L. Hjelmslev, Roman Jakobson e Chomsky

ROLAND BARTHES, no importante livro ELEMENTOS DE SEMIOLOGIA (1964) sintetiza o legado desses autores, dando uma visão geral dessa ciência e dos instrumentos necessários à pesquisa semiológica.