sábado, 24 de setembro de 2011

Estudos Culturais: a mídia ainda dá as cartas, mas nem tanto. É possível uma resistência negociada



Enquanto não há tempo de continuar a digitação do vídeo com a entrevista de Zygmunt Bauman, que começamos nas duas últimas postagens, prosseguimos com a publicação do nosso Quadro Geral das Teorias da Comunicação, que interrompemos em 2 de março, quatro posts atrás. Abraços!

13) ESTUDOS CULTURAIS BRITÁNICOS

- Os Estudos Culturais Britânicos, que aqui chamaremos EC, têm hoje como principal questão a CONSTITUIÇÃO DE IDENTIDADES DOS GRUPOS CULTURAIS.

- O movimento começou, oficialmente, com a fundação do Contemporary Centre of Culture Studies (CCCS), em 1964, na Universidade de Birmingham, por Richard Hoggart, que realizava pesquisas sobre os hábitos culturais da classe operária inglesa do pós-guerra.

- Vale ressaltar que os EC extrapolam o campo da comunicação.

- A originalidade dos EC está na consideração da cultura popular em condições de igualdade com a arte, a música e a literatura, enfim, as culturas erudita e tradicional.

- Hoggart afirma que NA CULTURA POPULAR NÃO EXISTE APENAS SUBMISSÃO, MAS TAMBÉM RESISTÊNCIA.

- Em 1968, Stuart Hall substitui Hoggart no CCCS e incentiva “a investigação de práticas e de análises dos MCS identificando papel central dos meios na direção da sociedade”.

- Os EC RECEBEM INFLUÊNCIA MARXISTA, MAS CRITICAM O REDUCIONISMO E O ECONOMICISMO MARXISTAS QUE NÃO RECONHECEM CERTA “AUTONOMIA RELATIVA” DAS CULTURAS POPULARES.

- E a ligação dos EC com a comunicação está nessa perspectiva também de uma resistência e uma REELABORAÇÃO QUE A CULTURA POPULAR É CAPAZ DE FAZER EM RELAÇÃO ÀS MENSAGENS DA MÍDIA.

- Entram aí os conceitos de “CODIFICAÇÃO” E “DECODIFICAÇÃO” das mensagens dos MCS.

- Mais tarde os EC enveredam por pesquisas de recepção segmentada por gênero e etnias (estudos etnográficos), e de faixas etárias (crianças por exemplo) - inclusive na América Latina como veremos, a partir dos estudos de Jesus Martín-Barbero e Nestor Garcia Canclini, entre outros - , ou seja, investigações sobre como estes grupos interpretam as mensagens da mídia e como as pessoas aparecem nos MCS

- Essa possibilidade/capacidade que os EC têm de pesquisar o POTENCIAL DE RESISTÊNCIA DAS CULTURAS POPULARES dá a eles um diferencial nas pesquisas dos IMPACTOS DOS MCS SOBRE GRUPOS, MINORIAS, COMUNIDADES E OUTROS SEGMENTOS SOCIAIS cada vez mais numerosos em nossa SOCIEDADE FRAGMENTADA.

- Essa contribuição – que se ampliou com a difusão dos EC em diversos países – é importantíssima no sentido de investigar o papel dos MCS na constituição das identidades desses grupos.

A obra fundadora é The Uses of Literacy (1957), em que Richard Hoggart estuda a forma como operários ingleses interpretam jornais populares, enquanto “Codificação/Decodificação” (1973) é uma das obras mais influentes, na qual Stuart Hall analisa três níveis de recepção em que as pessoas decodificam as mensagens midiáticas: código hegemônico, código de oposição e código negociado. Com alguma simplificação, poderíamos dizer que no primeiro código há uma aceitação acrítica da mensagem de dominação; no segundo, uma oposição radical a essa mensagem, resultando sempre em conflito e ruptura; e no terceiro, como o nome diz, ocorre uma negociação que inclui certa tolerância crítica às mensagens de dominação, mas também uma resistência estratégica a longo prazo.

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