sábado, 19 de fevereiro de 2011
A teoria matemática da comunicação (Shannon & Weaver)
Outro dia, uma amiga minha, jornalista e professora universitária, mencionou de passagem Shannon & Weaver, e eu resolvi refrescar os registros da minha memória acerca desses pioneiros das Teorias da Comunicação (Teocoms). Corri então ao meu "História das Teorias da Comunicação" (Loyola), de Armand e Michelle Mattelart - porém, ressalvo que este post não se trata de mais um trecho do meu "Quadro Geral das Tecoms, que prometo retomar em breve, mas sim, de um "parêntese". Mencionar Shannon & Weaver significa lembrar a publicação do trabalho de Claude Elwod Shannon, "A Teoria Matemática da Comunicação", acrescida dos comentários de Warren Weaver. Nessa publicação, em 1949, pela Universidade de Illinois, Shannon, matemático e engenheiro eletricista da Bell/AT&T, e Weaver, que durante a Segunda Guerra Mundial coordenou uma pesquisa sobre grandes máquinas de calcular, tornaram famosa uma visão do processo de comunicação que influenciou muitas escolas - opostas, inclusive - de pesquisas na área influentes até hoje. O famoso modelo "Emissor - Mensagem - Receptor" é uma simplificação do sistema proposto por Warren & Weaver, a saber: 1) Fonte (de informação); 2) Codificador ou emissor; 3) Canal; 4) Decodificador ou receptor; 5) Destinação (pessoa ou coisa à qual a mensagem é transmitida). Segundo esse modelo, o problema da comunicação consiste em "reproduzir em um ponto dado, de maneira exata ou aproximativa, uma mensagem selecionada em outro ponto". A idéia de tratar essa questão em termos matemáticos tem a ver com o objetivo de medir o custo de uma mensagem entre dois pontos desse sistema, mesmo em meio a "perturbações aleatórias" (ruídos). Procurando reduzir essas perturbações, haverá menos custo e maior aproveitamento da mensagem, ou seja, a comunicação será mais proveitosa. A "Teoria Matemática da Comunicação" foi muito útil no trabalho de transposição de conceitos das ciências exatas, já consolidados e aceitos, para os estudos da comunicação, que estavam nos primórdios e precisavam de respaldo científico. Posteriormente, muitas pesquisas em comunicação se utilizaram de conceitos como "ruído", "codificação" e "decodificação" para investigações e reflexões também nas áreas das ciências humanas.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Eco, Swingewood e Tofler: apocalípticos e integrados na terceira onda
Olá!
Este é meu primeiro post de 2011. O último foi em 6 de dezembro do ano passado, sobre a vinda de um grande pesquisador da área da Análise do Discurso ao Brasil. Volto a publicar trechos do Quadro Geral das Teorias da Comunicação, que elaborei a partir de minhas leituras sobre o tema, e cuja introdução pode ser lida em http://migre.me/3Sv09 . Ao último trecho desta série, que postei em 26 de dezembro de 2010, dei o título de "Barthes, Morin e Baudrillard; Kristeva, Metz e Bordieu; Virilio, Sfez e Maffesoli, P. Levy, Wolton e Debord", dando pinceladas acerca desses teóricos do pensamento francês contemporâneo. Hoje continuo com Umberto Eco (Apocalípticos e Integrados, 1964), Alan Swingewood ("O Mito da Cultura de Massa," 1978) e Alvin Tofler (A Terceira Onda, 1981).
10) UMBERTO ECO
O pesquisador italiano Umberto Eco também publicou artigos na Revista Communications, dos pensadores franceses citados no post anterior.
Autor do livro “APOCALÍTICOS E INTEGRADOS” (1964), Eco taxava de “APOCALÍPTICOS” os teóricos que seguiam a linha da ESCOLA DE FRANKFURT, acusando-os por um pessimismo excessivo e por não analisarem a cultura de massas (CM) em toda complexidade que ela apresenta.
Segundo ele, a CM tem uma legitimidade histórica por resultar de uma ascensão social das massas, independentemente do conteúdo das mensagens.
Denominava, por outro lado, de “INTEGRADOS” os seguidores da Escola FUNCIONALISTA por considerá-los passivos em relação à cultura de massa.
Propõe a substituição da própria expressão “cultura de massas” por “comunicação de massa”.
Eco sustenta que se deve estudar a cultura de massas nas suas características de “efemeridade” e “reprodutibilidade”.
Também afirma que a análise da cultura de massa deve ter como objeto de estudo a mensagem e não os meios.
Esse estudo teria por nome “ANÁLISE ESTRUTURAL DA MENSAGEM” e levaria em conta:
a) a linguagem dos bens culturais
b) a forma como são percebidos e interpretados pelos receptores
c) o contexto cultural em que se inserem
d) o pano de fundo político e social
11) ESCOLA PROGRESSISTA-EVOLUCIONISTA
- Os teóricos dessa escola seriam certamente acusados de “integrados” pelo italiano Eco.
- Adeptos do neoliberalismo pós-industrial, tal como defendido pela ex-primeira-ministra da Inglaterra, Margareth Tatcher, e pelo ex-presidente estadunidense Ronald Reagan, eles entendem que na sociedade pós-industrial, não apenas as elites, mas as massas têm acesso pleno à cultura.
ALAN SWINGEWOOD (“O MITO DA CULTURA DE MASSA”, 1978) AFIRMA QUE:
- a massa é constituída por todos os indivíduos da sociedade
- a noção de que a massa deve receber produtos culturais de baixo nível é um mito criado pelos críticos da CM.
- o gosto pessoal é valorizado na CM, gerando a segmentação na produção dos bens culturais
- a educação generalizada, universalizada, aumenta a participação política num processo “inevitável e revolucionário”
- OCORRE ENTÃO A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO, com uma UNIFICAÇÃO DE TODOS OS EXTRATOS SOCIAIS.
ALVIN TOFLER (“A TERCEIRA ONDA – DESMASSIFICANDO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA”, 1981) teoriza:
- Na Primeira Onda, antes da primeira Revolução Industrial (RI), quando a comunicação era feita no seio de instituições como a família, a escola, o Estado, a Igreja e ainda nos locais de trabalho, O CONSENSO ERA DITADO POR AUTORIDADES que representavam essas instituições
- A Segunda Onda vem com a RI, e O CONSENSO PASSA A SER DADO PELOS QUE CONTROLAM A IMPRENSA e, mais tarde, os demais MCS.
- Já a TERCEIRA ONDA chega com a sociedade pós-industrial. Ocorre então, um enorme aumento no fluxo de informação e a participação cada vez maior do receptor no processo comunicativo.
- Idéias, crenças, atitudes e ideologias tornam-se temporários.
- O CONSENSO SE DESPEDAÇA.
- SEM O CONSENSO, o indíviduo ganha finalmente a liberdade para pensar e escolher.
- Na sociedade pós-industrial, o fenômeno da segmentação é muito forte e as mensagens dos meios são orientadas especificamente para grupos (segmentos da população) cada vez mais isolados entre si.
- A leitura desse fato pela Escola Progressista-Evolucionista, entretanto, é positiva: a segmentação dos bens culturais é um sinal de que são atendidas as necessidades particulares de cada público e até do indivíduo.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Teun van Kijk, grande nome da Análise do Discurso, na UFRGS em janeiro de 2011
Caros amigos, reproduzo aqui informação que recebi por e-mail sobre a visita do professor Teun van Dijk, estudioso da área da análise do discurso, uma referência na área do discurso midiático, que visitará em breve a UFRGS:
Informamos que o Prof. Teun van Dijk, professor visitante do Depto de
Ciências da Linguagem da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona), fará uma
breve visita à UFRGS com o apoio do curso de Especialização em
Neuropsicologia (Depto de Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade)
desta instituição.
O modelo teórico de van Dijk vem sendo utilizado para estudar os processos
discursivos em diversas áreas, como a Neuropsicologia Cognitiva, a
Psicologia Cognitiva, a Linguística, as Ciências Sociais e a Comunicação
Social. Para saber mais, acessem o site http://www.discourses.org/
No dia 18 de janeiro de 2011 às 14:00 o Prof. van Dijk oferecerá uma
conferência mais ampla, sobre Discurso e Conhecimento, especialmente
interessante para aqueles que estudam epistemologia, tipos de conhecimento e
estratégias de gestão do conhecimento durante o processamento textual.
No dia 19 de janeiro de 2011, o Prof. van Dijk oferecerá um workshop sobre
Discurso e Cognição Social, focado na a compreensão dos processos
pragmáticos envolvidos na construção de representações mentais das situações
comunicativas (modelos de contexto). Para este workshop há vagas limitadas,
dirigidas a um público de pesquisadores e estudantes interessados em debater
idéias e aperfeiçoar-se nessa área.Os interessados devem inscrever-se na
secretaria dos cursos de Especialização da Psicologia (especpsico@ufrgs.br).
O horário do workshop será divulgado para os participantes inscritos
(informar email no ato da inscrição).
Ciências da Linguagem da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona), fará uma
breve visita à UFRGS com o apoio do curso de Especialização em
Neuropsicologia (Depto de Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade)
desta instituição.
O modelo teórico de van Dijk vem sendo utilizado para estudar os processos
discursivos em diversas áreas, como a Neuropsicologia Cognitiva, a
Psicologia Cognitiva, a Linguística, as Ciências Sociais e a Comunicação
Social. Para saber mais, acessem o site http://www.discourses.org/
No dia 18 de janeiro de 2011 às 14:00 o Prof. van Dijk oferecerá uma
conferência mais ampla, sobre Discurso e Conhecimento, especialmente
interessante para aqueles que estudam epistemologia, tipos de conhecimento e
estratégias de gestão do conhecimento durante o processamento textual.
No dia 19 de janeiro de 2011, o Prof. van Dijk oferecerá um workshop sobre
Discurso e Cognição Social, focado na a compreensão dos processos
pragmáticos envolvidos na construção de representações mentais das situações
comunicativas (modelos de contexto). Para este workshop há vagas limitadas,
dirigidas a um público de pesquisadores e estudantes interessados em debater
idéias e aperfeiçoar-se nessa área.Os interessados devem inscrever-se na
secretaria dos cursos de Especialização da Psicologia (especpsico@ufrgs.br).
O horário do workshop será divulgado para os participantes inscritos
(informar email no ato da inscrição).
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Tecoms* 7 - Barthes, Morin e Baudrillard; Kristeva, Metz e Bourdieu; Virilio, Sfez e Maffesoli; P. Levy, Wolton e Debord
* Teorias da Comunicação
Prosseguimos com o nosso “Quadro Geral das Teorias da Comunicação.
9) O PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO FRANCÊS EM COMUNICAÇÃO
- Vale lembrar a já citada inadequação metodológica da didática de agrupar estudiosos em escolas, tendências etc, sobretudo ao falarmos do que foi e é produzido recentemente entre os teóricos franceses - ou radicados na França -, pois tais autores com freqüência divergem entre si.
- Porém, em comum, podemos dizer que os teóricos franceses são marcados pela cultura intelectual do pós-estruturalismo e da “desconstrução” do saber, predominante atualmente na França.
O ESTRUTURALISMO, linha de estudos iniciada pelo antropólogo Claude Lévis-Strauss, também francês, indica a importância da estrutura como sistema de relações (parentesco, troca econômica etc) na sociedade baseada em oposições binárias (amigo/inimigo, rico/pobre...)
Os teóricos franceses contemporâneos da comunicação podem, muitas vezes, ser definidos como “pós-estruturalistas” porque rejeitam essa “binariedade”, sustentando que as relações sociais seriam muito mais complexas
- O ano de 1960 foi um marco para eles, com a fundação do Centro de Estudos de Comunicação e Massas (Cecmas).
- Em 1968, o Cecmas lançou a Revista Communications, na qual autores como Roland Barthes, Edgar Morin, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Christian Metz, entre outros, passaram a publicar seus textos.
- Há TRÊS EIXOS DE ESTUDOS da comunicação explorados pelos intelectuais franceses:
1 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO EXTREMO: não há meios de reduzir os MCS à lógica da utilidade social. Baudrillard é um dos que sustenta essa hipótese
2 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO DE DOMINAÇÃO: a sociedade é dominada por intermédio dos MCS, mas ainda pode ser libertada, se for feito um bom uso desses meios. Partilham dessa linha Pierre Bourdieu, Paul Virilio e Lucien Sfez.
3 - A COMUNICAÇÃO COMO VÍNCULO SOCIAL COMPLEXO: os MCS são um fator de vínculo, ligação entre as pessoas - para o bem (integração social, por exemplo) e para o mal (pedofilia na Internet), e é aí que entra a COMPLEXIDADE; essa interpretação é defendida por Michel Maffesoli, Pierre Levy e Dominique Wolton.
Vamos, então, a pinceladas, MESMOS SE DE FORMA NÃO ORDENADA, sobre alguns desses autores, limitando-nos, devido à riqueza mas também ao caráter polêmico das suas idéias, a acenos, expressões e idéias atribuídas a eles pelo professor Juremir Machado da Silva (PUC-RS), no livro “Teorias da Comunicação – Conceitos, Escolas e Tendências”:
- Pierre Lévy saúda as novas tecnologias como a Internet, afirmando que o mundo virtual supera a pirâmide “um-todos” pelo “processo comunicacional todos-todos”, democratizando a possibilidade de emissão das mensagens
- Já Virilio vê as novas tecnologias com desconfiança. Teme “a ‘ausência de isolamento’, modalidade pós-moderna e sofisticada de encarceramento do ser na ilusão coletiva”.
- Morin afirma que a mídia alimenta-se das mensagens que lhe vêm do mundo que por sua vez é alimentado pelas mensagens que a mídia emite
- Maffesoli diz que a imagem funciona como um totem ao redor do qual comungam os espectadores
- Gui Debord afirma que vivemos numa “sociedade do espetáculo” - que dá, aliás, título a seu importante livro de 1967
- Baudrillard fala de “sociedade de consumo”, “maiorias silenciosas” e “estratégias fatais”
- Lévy saúda o “emissor-receptor”
- Já Sfez diz que existe apenas “emissor-receptor-interlocutor-lobotomizado*”
* lobotomia: uma secção (corte) no lobo frontal (região do cérebro) indicada, entre outros casos, em situações de “dores intratáveis de outra forma”, como explica o dicionário Aurélio.
- Pierre Bourdieu, em “Sobre a Televisão” (1997) faz uma investigação sobre o cotidiano do campo jornalístico atribuindo aos jornalistas pelo menos conivência com os procedimentos de dominação dos MCS
- Ainda Sfez fala de “tautismo” expressão forjada com a junção das palavras “tautologia”** e “autismo”
** Tautologia: “Vício de linguagem que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa; (Filos.): Erro lógico que consiste em aparentemente demonstrar uma tese repetindo-a com palavras diferentes”. (Dicionário Aurélio)
- Sfez, Virilio e Baudrillard refletem sobre a idéia de que vivemos numa “sociedade panóptica”, segundo a interpretação do filósofo, também francês, Michel Foucault em sua teorias sobre a poder e vigilância***. Historicamente, o panóptico é um modelo arquitetônico idealizado no século XIX por Jeremy Bentham (1748-1832), com o objetivo confinar pessoas - em fábricas, presídios, hospícios etc. Essas pessoas vêem (e vigiam) outros confinados sem saber se estão sendo vistas ou não.
*** “O Panóptico é uma torre circular oca, com um pátio central, rodeado por pequenas celas orientadas para o centro do círculo. Mesmo fazendo parte do mesmo conjunto, as celas não se comunicam entre si, são separadas por paredes. Na superfície que dá para o exterior, cada cela apresenta uma vasta janela, permitindo entrar a luz. Seu lado oposto é gradeado, permite quem está dentro estar continuamente visível para quem se situe no meio. Dentro desta torre há outra torre, localizada no centro. Lá, ficam os vigilantes observando através de seteiras. O esquema é tal que nunca os confinados sabem se estão sendo vistos ou não. Na incerteza, se vigiam a si mesmos” (FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis, Vozes, 26ª ed., 1987).
- E voltamos a Bourdieu que afirma a existência de uma “circularidade da informação”: “a mídia fala dela mesma; pauta-se por outros veículos da mídia; saiu do acontecimento para entrar no culto à personalidade”.
- Para Morin, entretanto, “ninguém ou quase [ninguém] se encontra destituído de algum poder de intervenção [em relação ao predomínio dos MCS na sociedade]”
Como conclusão deste item número 9 sobre os teóricos franceses contemporâneos, apresentamos a seguinte citação, do professor Juremir mencionado acima: “Mesmo se discordam entre si, os [teóricos] franceses parecem ter um ponto em comum: tudo é comunicação; chegou a hora da comunicação total, da vertigem do signo, da circulação permanente, da avalanche comunicacional, que tudo permeia, contamina, devora, impregna, devasta”.
Prosseguimos com o nosso “Quadro Geral das Teorias da Comunicação.
9) O PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO FRANCÊS EM COMUNICAÇÃO
- Vale lembrar a já citada inadequação metodológica da didática de agrupar estudiosos em escolas, tendências etc, sobretudo ao falarmos do que foi e é produzido recentemente entre os teóricos franceses - ou radicados na França -, pois tais autores com freqüência divergem entre si.
- Porém, em comum, podemos dizer que os teóricos franceses são marcados pela cultura intelectual do pós-estruturalismo e da “desconstrução” do saber, predominante atualmente na França.
O ESTRUTURALISMO, linha de estudos iniciada pelo antropólogo Claude Lévis-Strauss, também francês, indica a importância da estrutura como sistema de relações (parentesco, troca econômica etc) na sociedade baseada em oposições binárias (amigo/inimigo, rico/pobre...)
Os teóricos franceses contemporâneos da comunicação podem, muitas vezes, ser definidos como “pós-estruturalistas” porque rejeitam essa “binariedade”, sustentando que as relações sociais seriam muito mais complexas
- O ano de 1960 foi um marco para eles, com a fundação do Centro de Estudos de Comunicação e Massas (Cecmas).
- Em 1968, o Cecmas lançou a Revista Communications, na qual autores como Roland Barthes, Edgar Morin, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Christian Metz, entre outros, passaram a publicar seus textos.
- Há TRÊS EIXOS DE ESTUDOS da comunicação explorados pelos intelectuais franceses:
1 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO EXTREMO: não há meios de reduzir os MCS à lógica da utilidade social. Baudrillard é um dos que sustenta essa hipótese
2 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO DE DOMINAÇÃO: a sociedade é dominada por intermédio dos MCS, mas ainda pode ser libertada, se for feito um bom uso desses meios. Partilham dessa linha Pierre Bourdieu, Paul Virilio e Lucien Sfez.
3 - A COMUNICAÇÃO COMO VÍNCULO SOCIAL COMPLEXO: os MCS são um fator de vínculo, ligação entre as pessoas - para o bem (integração social, por exemplo) e para o mal (pedofilia na Internet), e é aí que entra a COMPLEXIDADE; essa interpretação é defendida por Michel Maffesoli, Pierre Levy e Dominique Wolton.
Vamos, então, a pinceladas, MESMOS SE DE FORMA NÃO ORDENADA, sobre alguns desses autores, limitando-nos, devido à riqueza mas também ao caráter polêmico das suas idéias, a acenos, expressões e idéias atribuídas a eles pelo professor Juremir Machado da Silva (PUC-RS), no livro “Teorias da Comunicação – Conceitos, Escolas e Tendências”:
- Pierre Lévy saúda as novas tecnologias como a Internet, afirmando que o mundo virtual supera a pirâmide “um-todos” pelo “processo comunicacional todos-todos”, democratizando a possibilidade de emissão das mensagens
- Já Virilio vê as novas tecnologias com desconfiança. Teme “a ‘ausência de isolamento’, modalidade pós-moderna e sofisticada de encarceramento do ser na ilusão coletiva”.
- Morin afirma que a mídia alimenta-se das mensagens que lhe vêm do mundo que por sua vez é alimentado pelas mensagens que a mídia emite
- Maffesoli diz que a imagem funciona como um totem ao redor do qual comungam os espectadores
- Gui Debord afirma que vivemos numa “sociedade do espetáculo” - que dá, aliás, título a seu importante livro de 1967
- Baudrillard fala de “sociedade de consumo”, “maiorias silenciosas” e “estratégias fatais”
- Lévy saúda o “emissor-receptor”
- Já Sfez diz que existe apenas “emissor-receptor-interlocutor-lobotomizado*”
* lobotomia: uma secção (corte) no lobo frontal (região do cérebro) indicada, entre outros casos, em situações de “dores intratáveis de outra forma”, como explica o dicionário Aurélio.
- Pierre Bourdieu, em “Sobre a Televisão” (1997) faz uma investigação sobre o cotidiano do campo jornalístico atribuindo aos jornalistas pelo menos conivência com os procedimentos de dominação dos MCS
- Ainda Sfez fala de “tautismo” expressão forjada com a junção das palavras “tautologia”** e “autismo”
** Tautologia: “Vício de linguagem que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa; (Filos.): Erro lógico que consiste em aparentemente demonstrar uma tese repetindo-a com palavras diferentes”. (Dicionário Aurélio)
- Sfez, Virilio e Baudrillard refletem sobre a idéia de que vivemos numa “sociedade panóptica”, segundo a interpretação do filósofo, também francês, Michel Foucault em sua teorias sobre a poder e vigilância***. Historicamente, o panóptico é um modelo arquitetônico idealizado no século XIX por Jeremy Bentham (1748-1832), com o objetivo confinar pessoas - em fábricas, presídios, hospícios etc. Essas pessoas vêem (e vigiam) outros confinados sem saber se estão sendo vistas ou não.
*** “O Panóptico é uma torre circular oca, com um pátio central, rodeado por pequenas celas orientadas para o centro do círculo. Mesmo fazendo parte do mesmo conjunto, as celas não se comunicam entre si, são separadas por paredes. Na superfície que dá para o exterior, cada cela apresenta uma vasta janela, permitindo entrar a luz. Seu lado oposto é gradeado, permite quem está dentro estar continuamente visível para quem se situe no meio. Dentro desta torre há outra torre, localizada no centro. Lá, ficam os vigilantes observando através de seteiras. O esquema é tal que nunca os confinados sabem se estão sendo vistos ou não. Na incerteza, se vigiam a si mesmos” (FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis, Vozes, 26ª ed., 1987).
- E voltamos a Bourdieu que afirma a existência de uma “circularidade da informação”: “a mídia fala dela mesma; pauta-se por outros veículos da mídia; saiu do acontecimento para entrar no culto à personalidade”.
- Para Morin, entretanto, “ninguém ou quase [ninguém] se encontra destituído de algum poder de intervenção [em relação ao predomínio dos MCS na sociedade]”
Como conclusão deste item número 9 sobre os teóricos franceses contemporâneos, apresentamos a seguinte citação, do professor Juremir mencionado acima: “Mesmo se discordam entre si, os [teóricos] franceses parecem ter um ponto em comum: tudo é comunicação; chegou a hora da comunicação total, da vertigem do signo, da circulação permanente, da avalanche comunicacional, que tudo permeia, contamina, devora, impregna, devasta”.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Minhas Leituras
Queridos amigos e amigas,
[Salto a introdução deste post, que pode ser lida em:
http://migre.me/3R6Uh ]
Segue uma lista de obras lidas, agrupadas por assuntos, a fim de apresentar as áreas de meu interesse, tais quais Teorias da Comunicação, Literatura Universal, Sociologia e Ciências Sociais, entre outras.
Segue a lista, subdvidida em alguns grupos.
Obras sobre Teorias da Comunicação
(incluindo algumas filosóficas e sociológicas que têm servido de base às teorias de comunicação, como as de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Pierre Bordieu; e ainda livros sobre jornalismo e comunicação em geral)
Teorias da Comunicação – Conceitos, escolas e tendências – Holfeldt, Martino, Vera França Vozes
O que é virtual? – Pierre Lévy – Editora 34
As teorias da comunicação – Roberto Elísio dos Santos – Paulinas
História das Teorias da Comunicação – Armand e Michelle Mattelart – Loyola
Teoria da Comunicação de Massa – Luiz Costa Lima (org) – Paz e Terra6 (5ª Ed) - Incluindo alguns dos principais textos clássicos publicados até 1969, data da primeira edição, a saber:
- Indústria Cultural (Theodor Adorno e Max Horkheimer)
- A Obra de Arte na Época de sua reprodutibilidade técnica – Walter Benjamim
- entre outros ensaios clássicos das Teorias da Comunicação dos seguintes autores: Abraha Moles, Paul Lazarsfeld, Robert Merton, David Riesman, Marshall McLuhan, Hebert Marcuse, Edoardo Sanguineti, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Roland Barthes e Erwin Panofsky
Microfísica do Poder – Michel Foucault (Roberto Machado – org) – Graal
A Cultura da Mídia – Douglas Kellner – USC
Guy Debord – A Sociedade do Espetáculo – Comentários sobre a cultura do Espetáculo – Contraponto
Antropológica do Espelho – Muniz Sodré – Vozes
A Identidade Cultural na Pós-Modernidade – Stuart Hall – DP&A
Da Diáspora (leitura quase total) – Stuart Hall – Org.: Liv Sovik – Humanitas UFMG
A Sociedade em Rede – Vol 1.: A era da informação – Manuel Castells – Paz e Terra
O Cinema e a Invenção da Vida Moderna – Leo Charney e Vanessa Schwartz (Orgs.) Cosacnaify
(produzi dois textos a abordando este livro)
Sobre a Televisão – Pierre Bordieu – JZE
A Distinção – Pierre Bordieu – Edusp – Zouk
Revista Cult – Número temático sobre Pierre Bourdieu – Ago Set 2008
O Mal-estar da Pós-modernidade – Zygmunt Bauman – Zahar
Cultura Híbridas6 – Nestor Garcia Canclini – Edusp
Dos Meios às Mediações – Jesús Martín-Barbero- UFRJ
Sobre a Televisão – Pierre Bordieu JZE
Brasilidade Televisiva e Ritos Reality de Personalização - Suzana Kilpp e Sonia Montaño, professora e aluna de mestrado na Unisinos (Trabalho sobre os programas BBB e Casa dos Artistas apresentado no XXVIIICongresso Brasileiro de Ciências de Comunicação)
Matrix, o Fim do Panóptico – Katia Maciel – ensaio publicado na Revista Lugar Comum: Estudos de Mídia, Cultura e Democracia (ECO – UFRJ) .
Cerca de 150 páginas sobre Sound Studies, linha recente de estudos que procuram dar conta do impacto cultural e social das tecnologias de som, especialmente, na modernidade, mas também a partir de uma história e de uma “arqueologia” do fenômeno sonoro. Trata-se de uma linha de pesquisa que, além de observar as conseqüências das tecnologias do som, como o walkman e o iPod, apontam para as questões da saturação do ambiente sonoro na atualidade e da comunicabilidade humana em crise. São textos em inglês de autores como Jonathan Sterne, Rick Altman, Michel Chion, Emily Thompson, Paul Hegart, Patrick Burkat, Andre Millard, Keir Keightley, Will Straw, Michael Bull, Theodor Adorno, e, ainda, da brasileira Simone de Sá (professora da UFF, que se destaca nessa linha de estudos em nosso País).
Não Contem com o Fim do Livro - Umberto Eco e Jean-Claude Carrière
Cultura da Convergência – Henry Jenkins – Aleph
Conversações Gilles Deleuze – Editora 34
Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem – Marshall McLuhan – Cultrix
O Controle da Opinão Pública - Nilson Lage – Ipej/Vozes
O papel do jornal – Alberto Dines – Summus
O Rádio Sem Onda6 – Marcelo Kischinhevsky
Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia
Abaixo o nada a declarar: O assessor de imprensa na era da globalização – Boanerges Lopes - Zabelê
Notícia: Um Produto à Venda: Jornalismo na Sociedade Urbana e Industrial – Cremilda Medina – Summus (Leitura fichada)
O Planeta Mídia – Dênis de Moraes – Letra Livre
Minha Razão de Viver: Memórias de um Repórter - Samuel Wainer (Biografia) – Record
Cobras Criadas - David Nasser e [a Revista] o Cruzeiro – Luiz Maklouf Carvalho - Senac
Chatô – Rei do Brasil – Fernando Morais – Companhia das Letras
Deus é Inocente, a imprensa, não - Carlos Dorneles (criticando teorias como a do "choque de civilizações")
Muito Além do Jardim Botânicos (estudo sobre o Jornal Nacional) – Carlos Eduardo Lins e Silva - Summus5
Manual de Radiojornalismo – Heródoto Barbeiro e Paulo Lima - Campus
Manual de Radiojornalismo Jovem Pan – Maria Elisa Porchat
Manual de redação da Folha de S. Paulo*
Manual de redação de O Globo*
Manual de redação de O Estado de S. Paulo*
*Não tenho mais esses livros, portanto, não lembro exatamente os títulos e outras informações da edição.
Telenovela: história de Produção – R.Ortiz, Silvia Borelli, José Mário O. Ramos - Brasiliense
Obras da área da interpretação sociológica e antropológica da cultura brasileira
O Abolicionismo – Joaquim Nabuco
Os Sertões – Euclides da Cunha
Raízes do Brasil – Sergio Buarque de Holanda
Literatura brasileira e universal, filosofia e mitologia
O Livro de Ouro da Mitologia6(consulto sempre como referência) - Thomas Bulfinch - Ediouro
O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder - Cia das Letras
Introdução à Filosofia –Problemas, Sistemas, Autores, Obras – B.Mondim – Paulinas
O Fenômeno Humano – Theilard de Chardin (Leitura parcial)
A Utopia - Thomas More
Ilíada – Homero
Odisséia – Homero
Eneida – Virgílio
Dom Quixote – Miguel de Cervantes
Os Lusíadas - Camões
A Divina Comédia – Dante
O Príncipe – Maquiavel
Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez
O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint Exupéry
O Homem que Calculava – Malba Tahan
Dom Casmurro – Machado de Assis
Quincas Borba – Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
Esaú e Jacó – Machado de Assis (leitura parcial)
A Mão e a Luva – Machado de Assis
Viagens de Gulliver – Jonathan Swift
1984 – George Orwell
A Revolução dos Bichos - George Orwell
A Volta ao Mundo em 80 Dias – Julio Verne
O Quinze – Raquel de Queiroz
O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo
O Grande Mentecapto – Fernando Sabino
O Ateneu – Raul Pompéia
O Cortiço – Aluísio Azevedo
Como e por que Ler os Clássicos Universais desde Cedo – Ana Maria Machado
Carlos Drummond de Andrade – Antologia Poética
Os Cem Melhores Poemas do Século XX – Seleção: Ítalo Morriconi
Leituras com meus filhos ( entre tantos outros livros)
20 Mil Léguas Submarinas - Julio Verne**
Viagem ao Centro da Terra - Julio Verne **
** Edições infantis
Sítio do Pica-pau Amarelo – Monteiro Lobato
Polyana Menina – Eleanor Poter
Fábulas de Esopo
Contos dos Irmãos Grimm
Fábulas de La Fontaine
Fábulas de Lenardo da Vinci
Robinson Crusoé – Daniel Defoe
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Teorias da Comunicação - Parte 6: News Making, Gatekeeping, Noticiabilidade
Continuamos falando do Paradigma da Sociedade de Massas, segundo o qual, as pessoas se comportom em blocos, coletivamente, com pouco espaço para a individualidade. E essa uniformidade comportamental é sustentada pela mídia. Mesmo recebendo, com razão, a crítica de ser reducionista, esse paradigma detecta interessantes mecanismos, especialmente, na produção das mensagens. (Você pode acompanhar esse resumo desde o primeiro post no qual explicamos a idéia que nos levou a publicá-lo no contexto da "Proposta da Faternidade na Mídia", e a partir do qual apresentamos as Teorias da Comunicação numa sequência que mescla a ordem cronológica e a evolução dos estudos sobre a mídia, desde os anos 1920/1940).
- NEWSMAKING (criação da notícia). Reúne estudos na área da sociologia das profissões, no caso a jornalística. São pesquisas sobre a cultura profissional do jornalismo. É uma vertente que, embora não seja assumida oficialmente por autores bem definidos, é trabalhada transversalmente por vários teóricos desde 1947 a partir de estudos sobre “GATEKEEPING” desenvolvidos pelo funcionalista Kurt Lewin.
O Gatekeeping (“gatekeeper” é “porteiro” em inglês) seria uma SELEÇÃO “involuntária” (por parte dos jornalistas) DO QUE DEVE OU NÃO TORNAR-SE NOTÍCIA.
Lewin comparou a chegada de notícias enviadas por telégrafo à redação de um grande jornal estadunidense com as que eram publicadas no dia seguinte. Ele observou que os critérios de publicação não eram tão objetivos como se poderia esperar (baseado apenas no atendimento ao público leitor) e dependeriam de fatores difusos ligados à subjetividade dos jornalistas:
Segundo aquela pesquisa, os critérios de publicação seriam:
-Autoridade institucional e eventuais sanções/punições
- Fidelidade e estima aos superiores
- Aspirações à mobilidade social por parte dos profissionais
A reflexão sobre o newsmaking e o gatekeeping levam ao conceito de NOTICIABILIDADE, ou seja, o potencial que determinado fato tem de tornar-se notícia.
Eis alguns CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE mais freqüentemente indicados por vários autores que tratam do tema:
- Importância (alteração que a notícia pode causar na vida das pessoas)
- Atualidade/Novidade
- Proximidade (do fato em relação ao público)
- Impacto nacional
- Impacto internacional
- Quantidade (de sujeitos/objetos de notícia envolvidos)
- Impacto negativo
- Raridade
- Curiosidade (Ex.: Amus Cummings, editor do New York Sun, disse a célebre frase: “Se um cachorro morde um homem, não é notícia, mas, seu um homem morde um cachorro, é notícia”.
- Interesse específico (para determinado público)
- Condições técnicas de transformação das informações em notícia
Exemplos: 1) um fato importante, mas sem uma imagem impactante, de boa qualidade técnica, pode ter obstáculos para tornar-se uma notícia televisiva;
2) uma notícia, mesmo relevante, que chega à redação em um release mal escrito tem grandes possibilidades de não ser publicada
Poderíamos acrescentar tantos outros critérios, como o de anunciar tendências para o futuro, por exemplo.
De qualquer forma, todos esses critérios estão atrelados ao que a notícia pode agregar comercialmente.
Portanto, VENDER MAIS jornais e aumentar as audiências no rádio, TV e Internet acabam sendo O GRANDE CRITÉRIO DE NOTICIABILIDADE, que engloba todos os outros.
Aprofundando, porém, a reflexão despertada pelos estudos de Lewin, podemos dizer que um forte fator que também influencia na noticiabilidade envolve a cultura profissional dos jornalistas, incluindo desde opiniões e preferências pessoais, até o apoio e proteção a colegas e amigos. No dizer mais técnico de Antonio Holfeldt, um dos autores do livro “Teorias da Comunicação – Conceitos, Escolas e Tendências”: “A cultura profissional [dos jornalistas] é um emaranhado de retóricas e táticas, códigos, estereótipos e símbolos relativos aos meios de comunicação de massa, que criam e mantêm paradigmas profissionais e de auto-imagem”.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Tecoms 5: Sociedade de Massas, Teoria Hipodérmica, Teoria Crítica, Agenda Setting, Espiral do Silêncio...
Falamos anteriormente da Escola de Frankfurt, uma das mais influentes na visão crítica que se tem hoje da mídia. Quando se diz que "a mídia faz a cabeça das pessoas", trata-se de uma idéia da Escola de Frankfurt que atingiu o senso comum. Agora vamos abordar o paradigma da sociedade de massas, que reúne elementos da Escola de Frankfurt e de outras importante escolas e tendências nos estudos dos MCS.
O PARADIGMA DA SOCIEDADE DE MASSAS
Esse paradigma é formado por uma série de idéias, vindas de diferentes escolas e tendências, das quais destacaremos algumas.
Elas têm em comum a visão de uma sociedade na qual o indivíduo sofre de uma total vulnerabilidade diante dos MCS. Os meios, nesse contexto, são também chamados Meios de Comunicação de Massa (MCM).
Entre tantas metáforas dessa sociedade estariam os filmes “O Show de Truman” e “Matrix” e, ainda, o livro “1984”, de George Orwell, que tem no Grande Irmão seu personagem central, “o grande olho que tudo vê”.
Mas mesmo o Mito da Caverna, genial intuição de Platão, mais de 300 anos antes de Cristo, já mostrava o falseamento que a realidade pode sofrer antes de chegar ao nosso conhecimento. Isso mostra que, mesmo diante da mídia pós-moderna com as novas tecnologias da era globalizada, talvez não estejamos diante de um fato tão novo em sua essência.
A própria ocorrência de UMA SOCIEDADE DE MASSAS, PORÉM, É EM SI OBJETO DE POLÊMICA. Não poucos teóricos recusam-se a aceitar que ocorra realmente tamanha perda de liberdade e individualidade em nossa sociedade; e muito menos que essas perdas se devam aos meios de comunicação.
No entanto, várias teorias sustentam o Paradigma da Sociedade de Massas.
Eis algumas delas:
- TEORIA HIPODÉRMICA, já citada (os MCS como uma seringa que aplicada na “pele” das pessoas injeta um conteúdo – as mensagens - provocando nelas um comportamento pré-determinado)
Designada com termo cunhado por Harold Lasswell em 1948, e desenvolvida também por outros teóricos desde a Escola Funcionalista, essa teoria é hoje quase unanimemente classificada como behaviorista e tida como superada.
- TEORIA CRÍTICA, também citada anteriormente, representada pela Escola de Frankfurt. O ano de 1947 é a data de referência, quando foi publicada a obra “Dialética do Esclarecimento”, com o ensaio “Indústria Cultural – O Iluminismo como mistificação de massa”).
Os críticos dessa teoria afirmam que ela não reflete sobre as possibilidades de reação do indivíduo à Indústria Cultural. A Teoria Crítica, apesar de toda essa argumentação, parece hoje, com a sociedade globalizada, uma profecia com muitas confirmações importantes.
- AGENDA SETTING (construção ou estabelecimento de agenda), teoria elaborada por Maxwell McCombs e Donald Shaw (The agenda setting function of mass media,1972).
Segundo esses pesquisadores, os MCM são dotados da capacidade de “agendamento” dos temas debatidos e comportamentos vividos na sociedade.
Os meios determinam desde os assuntos das conversas mais triviais até o resultado das eleições. Por acumulação de informações veiculadas diariamente (“efeito enciclopédia”), os MCM formam a opinião individual e pública.
- ESPIRAL DO SILÊNCIO. Elisabeth Nouelle-Newman cunhou a expressão e publicou os estudos fundamentais sobre essa teoria entre 1973 e 1984. Os MCM potencializam uma tendência de os indivíduos silenciarem opiniões pessoais quando julgam que essas opiniões não estão de acordo com as opiniões da maioria. Assim, uma opinião sobre determinado tema polêmico, mesmo sendo majoritária na sociedade, pode vir a tornar-se minoritária se não for divulgada pela mídia.
Nos casos em que essa teoria se confirme, vale notar:
a) as fortes conseqüências do efeito Espiral do Silêncio para a democracia,
b) a importância de divulgar as opiniões pessoais e de grupo, que se julgue benéficas e necessárias à sociedade e – com a mesma ênfase - usar a mídia para essa divulgação
O PARADIGMA DA SOCIEDADE DE MASSAS
Esse paradigma é formado por uma série de idéias, vindas de diferentes escolas e tendências, das quais destacaremos algumas.
Elas têm em comum a visão de uma sociedade na qual o indivíduo sofre de uma total vulnerabilidade diante dos MCS. Os meios, nesse contexto, são também chamados Meios de Comunicação de Massa (MCM).
Entre tantas metáforas dessa sociedade estariam os filmes “O Show de Truman” e “Matrix” e, ainda, o livro “1984”, de George Orwell, que tem no Grande Irmão seu personagem central, “o grande olho que tudo vê”.
Mas mesmo o Mito da Caverna, genial intuição de Platão, mais de 300 anos antes de Cristo, já mostrava o falseamento que a realidade pode sofrer antes de chegar ao nosso conhecimento. Isso mostra que, mesmo diante da mídia pós-moderna com as novas tecnologias da era globalizada, talvez não estejamos diante de um fato tão novo em sua essência.
A própria ocorrência de UMA SOCIEDADE DE MASSAS, PORÉM, É EM SI OBJETO DE POLÊMICA. Não poucos teóricos recusam-se a aceitar que ocorra realmente tamanha perda de liberdade e individualidade em nossa sociedade; e muito menos que essas perdas se devam aos meios de comunicação.
No entanto, várias teorias sustentam o Paradigma da Sociedade de Massas.
Eis algumas delas:
- TEORIA HIPODÉRMICA, já citada (os MCS como uma seringa que aplicada na “pele” das pessoas injeta um conteúdo – as mensagens - provocando nelas um comportamento pré-determinado)
Designada com termo cunhado por Harold Lasswell em 1948, e desenvolvida também por outros teóricos desde a Escola Funcionalista, essa teoria é hoje quase unanimemente classificada como behaviorista e tida como superada.
- TEORIA CRÍTICA, também citada anteriormente, representada pela Escola de Frankfurt. O ano de 1947 é a data de referência, quando foi publicada a obra “Dialética do Esclarecimento”, com o ensaio “Indústria Cultural – O Iluminismo como mistificação de massa”).
Os críticos dessa teoria afirmam que ela não reflete sobre as possibilidades de reação do indivíduo à Indústria Cultural. A Teoria Crítica, apesar de toda essa argumentação, parece hoje, com a sociedade globalizada, uma profecia com muitas confirmações importantes.
- AGENDA SETTING (construção ou estabelecimento de agenda), teoria elaborada por Maxwell McCombs e Donald Shaw (The agenda setting function of mass media,1972).
Segundo esses pesquisadores, os MCM são dotados da capacidade de “agendamento” dos temas debatidos e comportamentos vividos na sociedade.
Os meios determinam desde os assuntos das conversas mais triviais até o resultado das eleições. Por acumulação de informações veiculadas diariamente (“efeito enciclopédia”), os MCM formam a opinião individual e pública.
- ESPIRAL DO SILÊNCIO. Elisabeth Nouelle-Newman cunhou a expressão e publicou os estudos fundamentais sobre essa teoria entre 1973 e 1984. Os MCM potencializam uma tendência de os indivíduos silenciarem opiniões pessoais quando julgam que essas opiniões não estão de acordo com as opiniões da maioria. Assim, uma opinião sobre determinado tema polêmico, mesmo sendo majoritária na sociedade, pode vir a tornar-se minoritária se não for divulgada pela mídia.
Nos casos em que essa teoria se confirme, vale notar:
a) as fortes conseqüências do efeito Espiral do Silêncio para a democracia,
b) a importância de divulgar as opiniões pessoais e de grupo, que se julgue benéficas e necessárias à sociedade e – com a mesma ênfase - usar a mídia para essa divulgação
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