sexta-feira, 4 de março de 2011

Marshall McLuhan, o artista e a tecnologia

Amigos,

Gostaria de saber a opinião de vocês sobre a seguinte reflexão de Marshall McLuhan - concebida antes de a internet existir tal qual a conhecemos hoje – sobre o papel do artista com relação às novas tecnologias.
Em “Os meios de comunicação como extensão do homem” (1964), McLuhan chama os meios de “próteses”, ou seja, algo que nos é acrescentado, que nos “prolonga”. Na medicina moderna estamos acostumados com a idéia de que próteses podem ser implantadas também por meio de cirurgias.

Agora, passo a palavra ao teórico canadense:

“Os novos meios e tecnologias pelos quais nos ampliamos e prolongamos constituem vastas cirurgias coletivas levadas a efeito no corpo social”
“(...) a mudança técnica não altera apenas os hábitos da vida mas também as estruturas do pensamento e da valoração(...)”.
“O artista apanha a mensagem do desafio cultural e tecnológico [das novas técnicas e meios] décadas antes que ocorra seu impacto transformador. Constrói então modelos ou arcas de Noé para fazer frente à mudança iminente”.
“As vítimas que sofreram o impacto da nova tecnologia invariavelmente costumam tartamudear lugares-comuns sobre a falta de senso prático dos artistas e sobre seus gostos fantasiosos. Mas (...)[nas palavras de Wyndham Lewis] ‘o artista está sempre empenhado em escrever a minuciosa história do futuro, porque ele é a única pessoa consciente da natureza do presente!’ O conhecimento deste simples fato agora se torna necessário à sobrevivência humana. É secular a habilidade do artista em furtar-se ao pleno golpe das novas tecnologias, neutralizando sua violência com plena consciência, assim como é secular a inabilidade das vítimas atingidas, e que não sabem contornar a nova violência, em reconhecer a necessidade que têm dos artistas. Premiar os artistas e transformá-los em celebridades pode também ser um meio de ignorar seu trabalho profético, impedindo que eles sejam oportunamente úteis à sobrevivência. O artista é o homem que, em qualquer campo, científico ou humanístico, percebe as implicações de suas ações e do novo conhecimento de seu tempo. Ele é o homem da consciência integral”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário