Queridos,
Certamente, o texto abaixo não obedece a regras de concisão da era da twitteratura. Mas trata-se de um interessante debate - no e-group em que se realizou, costumo chamar debates de "discussões-diálogo" - entre comunicadores que procuram refletir e atuar a "Proposta da Fraternidade na Mídia", fraternidade, aqui, também como um dos princípios da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), aliás um "princípio esquecido", que tentamos resgatar. Falamos sobre a utilidade das redes sociais para fomentar a solidariedade mas também do seu possível caráter "fragmentário" que dificultaria uma "comunicação verdadeira". Convido-os a, pacientemente, SE DIRIGEREM com a barra de rolamento para início da discussão NO PÉ DA DO TEXTO.
Abraços!
De: Eduardo Cordeiro ()
Enviada: quarta-feira, 7 de julho de 2010 12:15:43
Para: 'Marcello Riella Benites' ()
Cc: 'Mariele Previdi - Attuale Comunicação' ()
E ai, Marcello!
(mando c/c para a Mariele)
Obrigado pelo email. Alguns elementos que me fizeram refletir...
• Todos estão cheios de coisas pra fazer. Muitos nem têm lido emails (ao menos aqui na minha região é assim).
O meu sentimento é que precisamos, definitivamente, promover encontro ‘presenciais’. Acho que as ferramentas online têm um poder incrível de ‘manter’ o contato estabelecido presencialmente. Mas ainda não têm a habilidade de ‘criar’ relacionamentos profundos à partir do virtual. Até pode ser, mas é muito mais difícil.
Note que o grupo que viajou para Roma está, na sua maioria, ativo. Coincidência? A experiência que vivemos ali foi muito profunda... E precisamos realmente repeti-la, quem sabe num molde diferente, aqui no Brasil.
O que achas?
Volo
De: Marcello Riella Benites [mailto:]
Enviada em: quarta-feira, 7 de julho de 2010 09:14
Para:
Assunto: Tempo perdido?
Querido Klaus,
Que tal retomarmos a "discussão-diálogo" sobre as redes sociais?
Indago sobre a sugestão-possibilidade de caminharem juntas, tanto a minha proposta fraterno-crítico-reflexiva quanto a de Cibele e Klaus, fraterno-pragmático-entusiasta. É possível, emprestando a reflexão de Umberto Eco, aos "fratercomunicadores" (ainda hesito em usar esse neologismo criado entre nós) "apocalípticos" dialogar com seus "frater" "integrados"? Um parênteses: perdão, se aqui nos enquadro no sistema estruturalista de oposição binária, limitado, mesmo se interessante, de Umberto Eco, até mesmo para que o questionemos.
Vejam que a questão é séria. Pergunto sobre a possibilidade de dialogarmos - nós formados na fraternidade segundo a proposta do Movimento dos Focolares (www.focolare.org)! - sobre uma questão específica, laica; e produzirmos a partir daí um pensamento-comunhão que contribua ao bem comum da sociedade e a uma nova visão de determinado aspecto do amplo fenômeno midiático.
Reitero que foi essa, penso, a proposta inicial de Mariana, que pego lá do início da nossa discussão-diálogo:
<> escreveu:
Jornalistas,
o que vcs acham que poderiamos dizer, com a visão de netone, sobre o dia sem globo e a sua repercussão nas redes sociais?
Abs,
Mari
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From:
To: fratmidia@googlegroups.com
Subject: [fratmidia] M.R.Logozzo:DiaSemGlobo
Date: Sat, 3 Jul 2010 03:14:21 +0000
Amigos do Frat&Mídia,
Peço desculpas por encaminhar somente agora o e-mail de Maria Rosa Logozzo, da Comissão Internacional de Net One, no qual ela afirma que está acompanhando com muito interesse nossa "discussão-diálogo" sobre mídias sociais e, que inclusive reuniria nossas trocas de e-mails para elaborar um artigo e publicar no site da Net One. Atendendo ao pedido dela, informo que os trechos citados na minha intervenção foram colhidos da Encíclica Rápido Desenvolvimento, de João Paulo II, e dos documentos "Ética na Internet" e "Igreja e Internet", ambos do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.
Abraços a todos!
Marcello
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Date: Tue, 29 Jun 2010 09:07:40 +0200
From:
To:
Subject: Re: ***SPAM*** RE: [fratmidia] DiaSemGlobo
Caro Marcello e cari tutti,
seguo con molto interesse il vostro percorso di approfondimento sui nuovi media e le reti sociali.
Mi porto tutto il vostro materiale in vacanza per vedere di ricavarne qualche articolo per il sito in italiano.
Per questo chiedo a Marcello se può indicarmi gli autori e le pubblicazioni da cui ha preso le citazioni che ci ha proposto. Grazie.
Purtroppo giorno 1 sarò in viaggio e non so che connessione avrò arrivando in Val d'Aosta. Ma seguirò col cuore il vostro collegamento e aspetto notizie. Se poi lo potete lasciare in rete vi guarderò in differita insieme a Rosilene.
Un abbraccio a ciascuno
Maria Rosa
On 29/06/2010 05:20, Marcello Riella Benites wrote:
Queridos Cibele, Klaus e Ana [agradecendo também a Mariana, que levantou a bola, Suelen, Volo e demais amigos],
Alegro-me com mais essa substanciosa "discussão-diálogo".
Entendo que nossas considerações não são excludentes.
Proponho, além do uso das novas mídias, sem medos ou preconceitos, a reflexão sobre suas consequências sociais, antropológicas, culturais, e até existenciais.
Se pudermos dizer com Marshall McLuhan que a invenção da imprensa "se tenha constituído numa experiência social por demais violenta e exacerbada para o sistema nervoso central", podemos também imaginar o que significam as nova mídias. (Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem)
A seguir, trechos de alguns outros textos que contribuem para o que nós quatro (penso eu) estamos dizendo:
"As mudanças na tecnologia e nas relações de trabalho transformam-se com demasiada rapidez para que a cultura seja capaz de lhes corresponder"
"[A Internet] está contribuindo para promover transformações revolucionárias (...) que se manifestam não só no modo de os indvíduos se comuniarem entre si, mas na forma de as pessoas compreenderem a sua própira vida".
"...os meios de comunicação são vistos como 'parte de uma cultura ainda em desenvolvimento, cujas plenas implicações ainda são compreendidas imperfeitamente ' "
"... a cultura dos meios de comunicação está imbuída de maneira tão profunda de um sentido tipicamente pós-moderno, que a única verdade absoluta é aquela segundo a qual não existem verdades absolutas ou que, se elas existissem, seriam inacessíveis à razão humana e portanto se tornariam irrelevantes' ".
"A Internet pode ajudar também os homens e as mulheres na sua busca permanente de se compreenderem a si mesmos. Em todas as épocas, também na nossa, as pessoas formulam as mesmas interrogações fundamentais: Quem sou eu? Donde venho e para onde vou? Por que existe o mal? O que é que existirá depois desta vida?"
Também eu agradeço a paciência de que me acompanhou até aqui já que passei um pouco dos 140 toques (he,he,he!)
abraços a todos.
Marcello
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Date: Mon, 28 Jun 2010 11:12:02 -0300
Subject: Re: RE: [fratmidia] DiaSemGlobo
From:
To: fratmidia@googlegroups.com
Olá a todos!
Interessante como as mídias sociais possibilitam esse hiperlink... Passsamos do Dia sem Globo para um debate bem interessante sobre mídias sociais! Muito bom!
Bem, os meus 20 anos de estrada como jornalista, que me possibilitaram acompanhar tantas mudanças, me levam a pensar que só vamos saber do real alcance das mídias sociais a medida que usarmos esses recursos. Vamos aprender acertando e errando, como acontece sempre com todo novo recurso em qualquer área.
Portanto, creio que não podemos endeusar nem desprezar as mídias sociais. É preciso saber de seus potenciais - como bem destacou Cibele - e também de suas limitações - como lembrou Marcello.
É isso!
Um forte abraço,
Ana Cristina Hermano
Jornalista
Em 26 de junho de 2010 12:38, Cibele Lana <> escreveu:
Klauuuuuuusssss
Vc resumiu em poucos parágrafos o que estudei em 4 anos com mídias sociais!!!!!!!
Estou vibrando! É esse o caminho! Não tiro uma vírgula do que vc escreveu! E é isso o que pensam também os teóricos e estudiosos mais respeitados da rede. Pode acreditar. A única coisa que não podemos é nos aliar com os extremos.
Acho que é esse o caminho de Fratmídia ao pensar as mídias: enxergar sempre o homem em meio ao processo. Com a internet não é diferente.
Eu não vejo tanta diferença em se tratando de fragmentação ao analisarmos o jornalismo impresso ou a TV. Certo que na internet o conteúdo é sempre inacabado, mas ele também sempre se renova a partir da colaboração e esse pode ser um ponto positivo. De que adianta ter a continuidade de um conteúdo se ele parte de cima para baixo ou se desenvolve sempre sob um mesmo ponto de vista?
Abraços!
Cibele
Em 25 de junho de 2010 23:59, <> escreveu:
Oi, Marcello
Entro nesse debate na ponta dos pés, como um curioso - no sentido eu diria infantil do termo - e um neófito do uso dessas mídias.
Alguns debates e temores me fazem lembrar quando se inventou a locomotiva a vapor, e os cientistas de antanho temiam que as pessoas fossem morrer asfixiadas, porque naquela velocidade não conseguiriam respirar.
Pelo pouco que observei, muitos temores dessas novas mídias estão se revelando infundados. Assisti, por exemplo, a alguns 'cases' de os relacionamentos virtuais ensejarem relacionamentos presenciais... em que as pessoas pareciam se conhecer há tempos!
Outro a meu ver equívoco é a crença de que essas novas mídias vão substituir as mídias tradicionais, quando na verdade se tende a uma convergência delas. Portanto, há espaço devido ao fragmento e também ao todo, cada um com seu meio mais adequado. Sem idealizações, claro.
Nossa geração foi marcada pelas relações presenciais. Nossa rede social por excelência era a mesa de um bar, onde discutíamos a revolução, as vanguardas, os amores... e também muita "abobrinha", que nada deviam a certos tuítes.
Portanto, the point isn't the media, but men, we, you and me.
Outra coisa: tenho a impressão de que a chamada pós-modernidade ou pós-contemporaneidade evidencia que não há apenas o global, mas também o fragmento; não há apenas o perene, mas também o instantâneo. Eu acho que o paradigma trinitário dá conta dessas dimensões, mas nós, modernos, temos dificuldade de lidar com isso...
Mas aí já é assunto para pensadores, e então é hora de me retirar para minha insignificância.
Obrigado pelo espaço e pela paciência
Klaus Enviado pelo meu aparelho BlackBerry® da Vivo
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From: Marcello Riella Benites <>
Sender: fratmidia@googlegroups.com
Date: Sat, 26 Jun 2010 02:19:24 +0000
Cc: Frate Mìdiagooglegroup<fratmidia@googlegroups.com>
Subject: RE: [fratmidia] DiaSemGlobo
Muito interessante, Cibele!
Concordo que haja todo esse potencial, e seu comentário, baseado no seu aprofundamento em mídias sociais deixou isso ainda mais claro para mim.
Minhas dúvidas, porém, são quanto ao caráter fragmentário/fragmentador das mídias sociais.
Você lembra do interessante diálogo entre Mariana e Luigino Bruni, no Congresso Net One Nacional? Eu penso que os dois colocaram pontos que devem se desenvolver. O que acha, Mariana?
Essa questão [da fragmentação], no entanto, é uma reflexão que deve correr paralelamente ao uso dessas mídias para nossas metas.
Abraços!
Marcello
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Date: Thu, 24 Jun 2010 20:34:33 -0300
Subject: Re: [fratmidia] DiaSemGlobo
From:
To:
CC: ; fratmidia@googlegroups.com
Olá Comunicadores,
Há algum tempo venho estudando e trabalhando diretamente com o que parece ser o "hit" do momento em se tratando de comunicação: as redes sociais.
A meu ver, precisamos enxergar as redes para além desses mobilizações isoladas. Se dirigirmos um olhar mais profundo sobre o #diasemglobo veremos que o ato é fruto de uma cultura de resistência que nasceu com a internet. Desde o princípio as redes se consolidaram como alternativa para sistemas já viventes. Vide a estrutura militar que reinava naquele período, seguido do aparecimento das listas de discussões, blogs e sites de relacionamento que tentam ser uma alternativa de voz e resistência à mídia de massa e aos padrões de relacionamentos da modernidade.
Os jovens, principalmente, que em todas as épocas sempre foram sinônimo de resistência (primeira e segunda guerras, primavera de 68, diretas já, etc) encontraram sua mais nova ferramenta. Depois das armas, das passeatas e caras pintadas, agora eles querem brincar seriamente de ser mídia e influenciar.
Seria estupidez demonizar a televisão. Ela teve e sempre terá o seu papel na sociedade. Mas, não podemos deixar de dizer que o #diasemglobo é um movimento de resistência à comunicação unilateral. Vejam essa seleção de mensagens que fiz: http://www.quoteurl.com/m0fmo
Um outro exemplo também desta última semana seria o "cala boca tadeu schimidt". Provavelmente se vocês têm um parente que acompanhou o fato somente pela Globo, a maior chance é de que ele tenha ficado do lado do repórter. O que aconteceu no Twitter? O contrário. As pessoas acharam extremamente arrogante da parte do jornalista levar o "orgulho ferido" para a rede nacional e tentar colocar uma nação inteira contra o técnico da seleção ("Xingou o técnico, é jornalismo; xingou os jornalistas, é crime contra a liberdade de imprensa. CALA BOCA TADEU SCHMIDT !").
Então, o que considero mais importante é darmos um empurrãozinho em movimentos de resistência que podem agregar algo à sociedade. E não sei vocês, mas retirar os jovens da atitude passiva de estar na frente de uma televisão e motivá-los a uma ativação na rede me parece bem razoável. E aí, claro que podemos dar asas à nossa criatividade. A rede é um grande mar de replicação de informação, que de tanto bater na cabeça das pessoas, as leva a repensar uma opinião formada.
Se formos capazes de nos conectar, como estamos conectados aqui, no twitter, por exemplo, digo que somos extremamente capazes de fazer a Semana Mundo Unido entrar nos Trending Topics. Para isso basta que a gente comece a conversar sobre o assunto publicamente na rede. É assim que as coisas "pegam".
Abraços!
Re: Reberson:RE: [fratmidia] DiaSemGlobo
De: REBERSON RICCI IUS ()
Enviada: terça-feira, 29 de junho de 2010 13:41:23
Para: Marcello Riella Benites ()
Cc: fratmidia@googlegroups.com
Oi Marcello ! (e amigos)
Como a minha participação anterior tinha passado batido tinha decidido me manter fora desse debate, mas ao responder a sua mensagem me sinto na obrigação de tornar público o meu desapontamento com esse assunto.
Eu sou um grande entusiasta das mídias sociais. Procuro participar o máximo possível.
Acho que com elas temos ferramentas que nos dão uma oportunidade potencial de fazer a diferença no fluxo de informação. Mas esse boicote "DiasemGlobo" ... (UUhmmm ??)
A começar pela motivação. Protestar contra o esquema de cobertura da Copa do Mundo ?
Repito que estranhei encontrar o tópico nesse grupo de discussão justamente quando, no meu ponto de vista, a Mídia ainda relutava em prestar um serviço de utilidade pública às tragédias da região nordeste.
Acho que temos causas muito mais relevantes pelas quais lutar e que essas ferramentas poderiam ser usadas para promover um nível mais profundo de Diálogo.
Mas o que vejo, ainda com raras exceções, é que há uma tendência a cairmos nas mesmas velhas armadilhas e acabamos servindo ingênuamente a outros interesses da concorrência comercial. Ao invés de criarmos uma nova Cultura, acabamos por espelhar justamente elementos que não me orgulho que ainda existam na sociedade atual.
Motivados pelo futebol e, a pretexto de abalar o "monopólio da informação", aderimos a campanhas passionais, recheadas de desinformação, rancor e até revanchismo.
Mudando de assunto, de novo:
Alguém disposto a ficar "UmdiasemCopa" para garantir um fluxo seguro e eficiente de donativos para as vítimas do nordeste ?
Tenho condições de oferecer divulgação de postos de coleta nas regiões de Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto e outras 150 cidades do Sul de Minas.
2010/6/29 Marcello Riella Benites <>
Oi, Rebberson!
Logo que enviei meu e-mail lembrei que você também tinha respondido. Aliás, foi o primeiro que respondeu a Mariana. Inclusive, indicando algo que realmente importa. No final das contas, ninguém mais, pelo que vi, tocou realmente no assunto do "Dia Sem Glogo". Quando eu respondi, a questão já era outra.
O que vc achou da campanha "Dia Sem Globo"?
Vamos trocar idéias, entre nós dois, a respeito?
Abraço!
Marcello
________________________________________
Em 24 de junho de 2010 14:59, Ana Cristina Hermano <> escreveu:
Caros FraterComunicadores,
Como um dos assuntos do momento é o boicote à Globo na transmissão do jogo de amanhã, acho interessantes estarmos informados sobre isso. O artigo abaixo fornece alguns subsídios; é um dos olhares possíveis sobre os fatos...
Abs,
--
Ana Cristina Hermano
Jornalista
http://twitter.com/anahermano
Carta Capital
Sociedade
Dunga custa dinheiro à Globo. Simples assim
23/06/2010 11:27:00
Publicamos ontem a opinião de Juca Kfouri e Carlos Heitor Cony sobre a desavença entre o Dunga e a TV Globo. Agora, os jornalistas Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna falam o que pensam sobre a saia justa entre o técnico e a emissora carioca
''Técnico sabe que ‘inimigos’ externos podem motivar qualquer grupo''
Por Luiz Carlos Azenha*
O primeiro jogo do Brasil na Copa rendeu 45 pontos no Ibope à TV Globo. Contra a Costa do Marfim, num domingo, foram 41 pontos. A Bandeirantes marcou 10 pontos nas duas ocasiões. Do total de televisores ligados na hora do jogo, 87% estavam sintonizados nas partidas. É menos que no passado, ainda assim uma enormidade. É preciso levar em conta que hoje há outras opções para ver o jogo: emissoras a cabo e via satélite, por exemplo.
Além disso, como muitas pessoas se reúnem para ver as partidas em bares ou em casas de parentes, fica difícil quantificar a audiência exata. Mas o fato é que a Globo ganha em qualquer circunstância: ganha na própria Globo, na SporTv, nas assinaturas de TV a cabo e assim por diante. Portanto, de fato, a Globo não tem nenhum motivo para torcer contra o Brasil. Quanto mais longe for o Brasil, maior o retorno e o lucro.
Onde é que Dunga prejudica a Globo, então? Nos dias e horários em que não há jogo. Para a emissora, a Copa do Mundo era no passado um evento importante para alavancar a audiência de toda a programação. Os jogadores da seleção brasileira costumavam desempenhar o papel de um cast alternativo. O acesso exclusivo aos jogadores e integrantes da comissão técnica garantia aos telejornais audiências bem acima da média durante a Copa do Mundo. A exclusividade no acesso à seleção teria um papel ainda mais crucial este ano. Hoje as pessoas se informam em tempo real através de emissoras de rádio ou da internet e não precisam mais ficar sujeitas à ditadura da programação para obter notícias somente depois das 8 da noite, no Jornal Nacional. A não ser que uma emissora tivesse o monopólio das notícias importantes sobre a seleção, o que deixou de acontecer.
É cedo, obviamente, para fazer qualquer tipo de análise da audiência de TV durante a Copa. Até agora parece não ter havido uma revolução nos números, a não ser durante os jogos do Brasil. Nos últimos dias a Record, por exemplo, tem perdido alguns pontos de audiência aqui ou ali, de acordo com a importância do jogo transmitido pelas rivais. Mas, curiosamente, o Jornal da Record, que compete diretamente com o Jornal Nacional, tem tido números consistentes com a audiência que tinha antes do evento.
Será que o Dunga pensou em prejudicar a Globo ao implantar a isonomia na seleção, ou seja, tratamento igual para iguais? Claro que não. O técnico da seleção brasileira sabe que um fator importante para motivar qualquer grupo é encontrar um ou mais “inimigos” externos. Sabe que é absolutamente essencial passar ao grupo a impressão de que não privilegia este ou aquele jogador, especialmente quando a exposição na TV, durante uma campanha vitoriosa, pode render contratos milionários. Sabe o quanto a ciumeira despertada por um relacionamento “especial” de um jogador com este ou aquele repórter, este ou aquele narrador, pode custar caro ao grupo.
A diferença entre Dunga e a Globo encontra-se no calendário distinto pelo qual ambos se regem: a emissora precisa ganhar tudo agora, comercialmente tem pouco a faturar depois que o Brasil chegar à final; Dunga só irá ao banco descontar o cheque milionário se e quando garantir o título. A Globo precisa de um cast. Dunga precisa de um time. Minha sugestão à emissora do Jardim Botânico é que crie uma seleção cenográfica lá no Projac. Garanto que pouca gente vai notar a diferença.
*Matéria originalmente publicada no site Vi o mundo
Em 24 de junho de 2010 10:40, Eduardo Cordeiro <> escreveu:
Olá a todos!
Acho que a Cibele Lana, analista de redes sociais, pode contribuir muito nesse assunto. De qualquer forma, assino embaixo das propostas da Suelen. E digo mais: se formos criativos, não somente a semana mundo unido poder virar ‘trend topic’. Por que não Chiara Luce? Por que não situações mais ‘ocasionais’?
Noto que essa “rede mundial” entre nós já está criada, mas precisamos ser mais concretos em juntar nossas forças e trabalharmos juntos por um objetivo comum... Refiro-me, objetivamente, a nos articularmos e sermos também ‘profissionais’ ao divulgar os valores de fraternidade que acreditamos.
O congresso de NetOne, pra mim, demonstrou isso. Falaremos mais a respeito dia 1/07, mas o que vi foram muitas experiências ‘singulares’, individuais. Isso é maravilhoso e inspirador! Mas chamou a atenção de todos que os brasileiros eram um ‘corpo’. Não existiam somente experiências individuais mas também de grupo. Acho que esse seja um caminho a ser trilhado...
Volo
________________________________________
From: To: fratmidia@googlegroups.com
Subject: RES: RE: [fratmidia] DiaSemGlobo
Date: Tue, 29 Jun 2010 18:38:51 -0300
Olá pessoal,
Gostei muito das ideias levantadas com a provocação da Mari em relação às mídias sociais.
Acho que o nosso papel é justamente refletir sobre todas essas mudanças que envolvem a comunicação e encontrar os fragmentos de fraternidade que existem em todas as iniciativas.
Sem dúvida, as mídias sociais são uma realidade, é um fenômeno recente e que não sabemos ao certo qual rumo terá. Mas acho importante conseguirmos captar o potencial de construção da fraternidade e de “dar voz” a muitas vozes que não tinham espaço em outras mídias.
Caiu na minha mão por acaso ontem a Veja da semana passada que teve como matéria de capa a repercussão do “Cala a boca Galvão” no Twitter. Tirando toda a parte ideológica e as críticas em relação à revista que muitos de vocês podem ter – inclusive eu – achei interessante a abordagem.
Segue o link caso queiram conferir na íntegra: http://veja.abril.com.br/230610/passaro-ruge-p-082.shtml
O primeiro ponto é que a matéria é assinada por um jornalista de 23 anos, editor de mídias sociais, cargo inexistente uns anos atrás, como foi destacado no editorial da revista.
O outro ponto que gostaria de compartilhar com vocês é um trecho da matéria que diz o seguinte:
“Em boa parte do tempo, o Twitter é uma espécie de vuvuzela da internet, que apenas amplifica o nada. Mas, por sua velocidade, mobilidade e alcance, é uma plataforma que, em certas circunstâncias, parece "dar poder ao homem comum", como gostam de dizer alguns teóricos. "É como se cada indivíduo tivesse seu próprio meio de comunicação", diz o sociólogo francês Michel Maffesoli.
Enfim, queria compartilhar com vocês, pois acho que todo esse movimento é bem interessante e, se bem canalizado, pode configurar com uma ferramenta em prol da fraternidade, lembrando sempre de uma frase do congresso da NetOne que me ajuda a reposicionar meu dia a dia e meus pensamentos em relação a tudo isso: “O ser humano é a principal mídia da comunicação”.
Um grande abraço e até quinta para quem for acompanhar a conferência,
Mariele Previdi
Attuale Comunicação
www.attualecomunicacao.com.br
From: fratmidia@googlegroups.com [mailto:fratmidia@googlegroups.com] On Behalf Of Ana Cristina Hermano
Sent: quinta-feira, 24 de junho de 2010 09:47
To: Su Carvalho
Cc: Mariana Assis; Frate Mídiagooglegroup
Subject: Re: [fratmidia] DiaSemGlobo
Oi, Su e todos!
Ótima a ideia de usar o twitter para divulgar a Semana Mundo Unido!!! Estou nessa!!!
abs a todos!
Em 24 de junho de 2010 09:44, Su Carvalho < > escreveu:
Bom dia a todos,
acho que nunca interagi por aqui, mas o questionamento da Mariana sobre os últimos "fenômenos" ocorridos no twitter me interpelaram.
Desde o "Cala boca Galvão" venho pensando neste sala de estar do mundo que se tornou o twitter. Esta é a primeira Copa do Mundo com o twitter e a impressão que eu tenho é pela primeira vez o mundo assiste os jogos numa mesma sala de estar comentando os gols, os jogadores e fatos da partida. Todos interagem instantaneamente. Não sei pra vocês, mas pra mim é incrível!
O "cala boca galvão" e o "dia sem globo" também mostram que o twitter se tornou antes de tudo uma mídia potente, bem mais eficaz que uma inserção no Jornal Nacional (sem falar que é incomparavelmente mais barata). Saiu do "virtual" e ocupou espaço nos principais jornais do mundo, foi para capas de revista ( vide a Veja desta semana - que eu ainda não li, vi só a capa...), ou seja, "saltou" para o mundo "real", voltou-se para a sociedade, não nasceu e morreu "online", resistiu mesmo offline.
Bem, não sei o que pode-se dizer com a visão de Netone, mas com certeza estamos diante de uma maravilhosa ferramente de mobilização para o mundo unido. Já pensaram se durante a Semana Mundo Unido o tag "United World" entrasse nos TT's mundiais e todos os twitters do comundo começassem a ir buscar o que isso significa? Se estamos no mundo inteiro (sem contar que depois dos EUA o Brasil é o país com maior número de usuários) não seria um feito impossível, não acham?
Abraços,
Suelen (Belém-Pa)
P.S.: Não quis entrar no mérito de fazer ou não um boicote a globo, mas sintam-se a vontade.
From:
Date: Thu, 24 Jun 2010 10:37:31 -0300
Subject: Re: [fratmidia] DiaSemGlobo
To:
CC: fratmidia@googlegroups.com
Há vários dias venho buscando na minha cidade (Campinas) iniciativas de mobilização que possam ser divulgadas para levar alguma ajuda
às vítimas das enchentes no Nordeste.
Bombeiros, Polícia Militar, prefeitura, ongs, Igrejas ...
Por enquanto, nada.
Acho que talvez depois da Copa questões realmente concretas sejam capazes de nos sensibilizar e quem sabe despertar alguma mobilização que façam diferença.
Em 23 de junho de 2010 16:22, Mariana Assis <> escreveu:
Jornalistas,
o que vcs acham que poderiamos dizer, com a visão de netone, sobre o dia sem globo e a sua repercussão nas redes sociais?
Abs,
Mari
--
Segue, então, acima, a "discussão-diálogo", da qual participaram - sendo de diversas regiões do País - também as assessoras de imprensa Ana Cristina Hermano e Mariele Prévidi, o editor de telejornalismo Rebersson Ricci, a jornalista e analista de redes sociais Cibele Lana, a jornalista Suelen Carvalho, a italiana da área de Tecnologia da Informação, Maria Rosa Logoso, integrante da Comissão Internacional de Net One (uma rede de comunicadores que procura fomentar a "Proposta da Fraternidade na Mídia"), o editor de livros Klaus BrüscHke, e os analistas de sistemas Eduardo Cordeiro (Volo) e Mariana Assis, que deu o pontapé inicial.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
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