sexta-feira, 4 de março de 2011

Marshall McLuhan, o artista e a tecnologia

Amigos,

Gostaria de saber a opinião de vocês sobre a seguinte reflexão de Marshall McLuhan - concebida antes de a internet existir tal qual a conhecemos hoje – sobre o papel do artista com relação às novas tecnologias.
Em “Os meios de comunicação como extensão do homem” (1964), McLuhan chama os meios de “próteses”, ou seja, algo que nos é acrescentado, que nos “prolonga”. Na medicina moderna estamos acostumados com a idéia de que próteses podem ser implantadas também por meio de cirurgias.

Agora, passo a palavra ao teórico canadense:

“Os novos meios e tecnologias pelos quais nos ampliamos e prolongamos constituem vastas cirurgias coletivas levadas a efeito no corpo social”
“(...) a mudança técnica não altera apenas os hábitos da vida mas também as estruturas do pensamento e da valoração(...)”.
“O artista apanha a mensagem do desafio cultural e tecnológico [das novas técnicas e meios] décadas antes que ocorra seu impacto transformador. Constrói então modelos ou arcas de Noé para fazer frente à mudança iminente”.
“As vítimas que sofreram o impacto da nova tecnologia invariavelmente costumam tartamudear lugares-comuns sobre a falta de senso prático dos artistas e sobre seus gostos fantasiosos. Mas (...)[nas palavras de Wyndham Lewis] ‘o artista está sempre empenhado em escrever a minuciosa história do futuro, porque ele é a única pessoa consciente da natureza do presente!’ O conhecimento deste simples fato agora se torna necessário à sobrevivência humana. É secular a habilidade do artista em furtar-se ao pleno golpe das novas tecnologias, neutralizando sua violência com plena consciência, assim como é secular a inabilidade das vítimas atingidas, e que não sabem contornar a nova violência, em reconhecer a necessidade que têm dos artistas. Premiar os artistas e transformá-los em celebridades pode também ser um meio de ignorar seu trabalho profético, impedindo que eles sejam oportunamente úteis à sobrevivência. O artista é o homem que, em qualquer campo, científico ou humanístico, percebe as implicações de suas ações e do novo conhecimento de seu tempo. Ele é o homem da consciência integral”.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Enzemberger: Os MCS para conscientizar ou alienar. Althusser: a mídia como aparelho ideológico do Estado

Prosseguimos nosso Quadro Geral sobre as teorias da comunicação a partir de estudiosos marxistas que abordavam a comunicação já com um olhar de quem faz uma releitura do marxismo.

12) NOVA ESQUERDA

No final da década de 1960, HANS MAGNUS ENZEMBERGER:

- dava continuidade à crítica marxista do capitalismo, mas observando também as injustiças existentes nos países comunistas. Elabora, então, uma nova abordagem marxista para os meios de comunicação no sentido de utilizar as “potencialidades emancipadoras” dos meios

- em vez de “demonizar” os MCS, como fizeram os frankfurteanos, Enzemberger atribui aos meios o álibi de neutralidade, afirmando poderem esses servirem tanto à conscientização quanto à alienação do receptor.

LOUIS ALTHUSSER (“IDEOLOGIA E APARELHOS IDEOLÓGICOS DO ESTADO”):

- Em 1970, esse filósofo francês contribuiu para um importante desenvolvimento no conceito marxista de que a reprodução das condições de produção é a condição de manutenção do capitalismo.

- Ele acrescentou a essa teoria que a reprodução das condições de trabalho não ocorre nos locais de produção propriamente (fábricas, fazendas, escritórios...) e, sim, por meio dos Aparelhos Ideológicos do Estado (Igreja, Escola, família, partidos, e meios de informação).

- Ao incluir os MCS entre os aparelhos ideológicos do Estado, Althusser criou todo um filão de reflexões percorrido por diversos teóricos da comunicação marxistas.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A teoria matemática da comunicação (Shannon & Weaver)

Outro dia, uma amiga minha, jornalista e professora universitária, mencionou de passagem Shannon & Weaver, e eu resolvi refrescar os registros da minha memória acerca desses pioneiros das Teorias da Comunicação (Teocoms). Corri então ao meu "História das Teorias da Comunicação" (Loyola), de Armand e Michelle Mattelart - porém, ressalvo que este post não se trata de mais um trecho do meu "Quadro Geral das Tecoms, que prometo retomar em breve, mas sim, de um "parêntese". Mencionar Shannon & Weaver significa lembrar a publicação do trabalho de Claude Elwod Shannon, "A Teoria Matemática da Comunicação", acrescida dos comentários de Warren Weaver. Nessa publicação, em 1949, pela Universidade de Illinois, Shannon, matemático e engenheiro eletricista da Bell/AT&T, e Weaver, que durante a Segunda Guerra Mundial coordenou uma pesquisa sobre grandes máquinas de calcular, tornaram famosa uma visão do processo de comunicação que influenciou muitas escolas - opostas, inclusive - de pesquisas na área influentes até hoje. O famoso modelo "Emissor - Mensagem - Receptor" é uma simplificação do sistema proposto por Warren & Weaver, a saber: 1) Fonte (de informação); 2) Codificador ou emissor; 3) Canal; 4) Decodificador ou receptor; 5) Destinação (pessoa ou coisa à qual a mensagem é transmitida). Segundo esse modelo, o problema da comunicação consiste em "reproduzir em um ponto dado, de maneira exata ou aproximativa, uma mensagem selecionada em outro ponto". A idéia de tratar essa questão em termos matemáticos tem a ver com o objetivo de medir o custo de uma mensagem entre dois pontos desse sistema, mesmo em meio a "perturbações aleatórias" (ruídos). Procurando reduzir essas perturbações, haverá menos custo e maior aproveitamento da mensagem, ou seja, a comunicação será mais proveitosa. A "Teoria Matemática da Comunicação" foi muito útil no trabalho de transposição de conceitos das ciências exatas, já consolidados e aceitos, para os estudos da comunicação, que estavam nos primórdios e precisavam de respaldo científico. Posteriormente, muitas pesquisas em comunicação se utilizaram de conceitos como "ruído", "codificação" e "decodificação" para investigações e reflexões também nas áreas das ciências humanas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eco, Swingewood e Tofler: apocalípticos e integrados na terceira onda


Olá!
Este é meu primeiro post de 2011. O último foi em 6 de dezembro do ano passado, sobre a vinda de um grande pesquisador da área da Análise do Discurso ao  Brasil. Volto a publicar trechos do Quadro Geral das Teorias da Comunicação, que elaborei a partir de minhas leituras sobre o tema, e cuja introdução pode ser lida em  http://migre.me/3Sv09 . Ao último trecho desta série, que postei em 26 de dezembro de 2010, dei o título de "Barthes, Morin e Baudrillard; Kristeva, Metz e Bordieu; Virilio, Sfez e Maffesoli, P. Levy, Wolton e Debord", dando pinceladas acerca desses teóricos do pensamento francês contemporâneo. Hoje continuo com Umberto Eco (Apocalípticos e Integrados, 1964), Alan Swingewood ("O Mito da Cultura de Massa," 1978) e Alvin Tofler (A Terceira Onda, 1981).

10) UMBERTO ECO

O pesquisador italiano Umberto Eco também publicou artigos na Revista Communications, dos pensadores franceses citados no post anterior.

Autor do livro “APOCALÍTICOS E INTEGRADOS” (1964), Eco taxava de “APOCALÍPTICOS” os teóricos que seguiam a linha da ESCOLA DE FRANKFURT, acusando-os por um pessimismo excessivo e por não analisarem a cultura de massas (CM) em toda complexidade que ela apresenta.

Segundo ele, a CM tem uma legitimidade histórica por resultar de uma ascensão social das massas, independentemente do conteúdo das mensagens.

Denominava, por outro lado, de “INTEGRADOS” os seguidores da Escola FUNCIONALISTA por considerá-los passivos em relação à cultura de massa.

Propõe a substituição da própria expressão “cultura de massas” por “comunicação de massa”.

Eco sustenta que se deve estudar a cultura de massas nas suas características de “efemeridade” e “reprodutibilidade”.

Também afirma que a análise da cultura de massa deve ter como objeto de estudo a mensagem e não os meios.

Esse estudo teria por nome “ANÁLISE ESTRUTURAL DA MENSAGEM” e levaria em conta:

a)     a linguagem dos bens culturais
b)    a forma como são percebidos e interpretados pelos receptores
c)     o contexto cultural em que se inserem
d)    o pano de fundo político e social



11) ESCOLA PROGRESSISTA-EVOLUCIONISTA

- Os teóricos dessa escola seriam certamente acusados de “integrados” pelo italiano Eco.

- Adeptos do neoliberalismo pós-industrial, tal como defendido pela ex-primeira-ministra da Inglaterra, Margareth Tatcher, e pelo ex-presidente estadunidense Ronald Reagan, eles entendem que na sociedade pós-industrial, não apenas as elites, mas as massas têm acesso pleno à cultura.

ALAN SWINGEWOOD (“O MITO DA CULTURA DE MASSA”, 1978) AFIRMA QUE:

- a massa é constituída por todos os indivíduos da sociedade

- a noção de que a massa deve receber produtos culturais de baixo nível é um mito criado pelos críticos da CM.

- o gosto pessoal é valorizado na CM, gerando a segmentação na produção dos bens culturais

- a educação generalizada, universalizada, aumenta a participação política num processo “inevitável e revolucionário”

- OCORRE ENTÃO A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO, com uma UNIFICAÇÃO DE TODOS OS EXTRATOS SOCIAIS.

ALVIN TOFLER (“A TERCEIRA ONDA – DESMASSIFICANDO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA”, 1981) teoriza:

- Na Primeira Onda, antes da primeira Revolução Industrial (RI), quando a comunicação era feita no seio de instituições como a família, a escola, o Estado, a Igreja e ainda nos locais de trabalho, O CONSENSO ERA DITADO POR AUTORIDADES que representavam essas instituições

- A Segunda Onda vem com a RI, e O CONSENSO PASSA A SER DADO PELOS QUE CONTROLAM  A IMPRENSA e, mais tarde, os demais MCS.

- Já a TERCEIRA ONDA chega com a sociedade pós-industrial. Ocorre então, um enorme aumento no fluxo de informação e a participação cada vez maior do receptor no processo comunicativo.

- Idéias, crenças, atitudes e ideologias tornam-se temporários.

- O CONSENSO SE DESPEDAÇA.

- SEM O CONSENSO, o indíviduo ganha finalmente a liberdade para pensar e escolher.

- Na sociedade pós-industrial, o fenômeno da segmentação é muito forte e as mensagens dos meios são orientadas especificamente para grupos (segmentos da população) cada vez mais isolados entre si.

- A leitura desse fato pela Escola Progressista-Evolucionista, entretanto, é positiva: a segmentação dos bens culturais é um sinal de que são atendidas as necessidades particulares de cada público e até do indivíduo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Teun van Kijk, grande nome da Análise do Discurso, na UFRGS em janeiro de 2011

Caros amigos, reproduzo aqui informação que recebi por e-mail sobre a visita do professor Teun van Dijk, estudioso da área da análise do discurso, uma referência na área do discurso midiático, que visitará em breve a UFRGS:
 
Informamos que o Prof. Teun van Dijk, professor visitante do Depto de
Ciências da Linguagem da Universitat Pompeu Fabra (Barcelona), fará uma
breve visita à UFRGS com o apoio do curso de Especialização em
Neuropsicologia (Depto de Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade)
desta instituição.

O modelo teórico de van Dijk vem sendo utilizado para estudar os processos
discursivos em diversas áreas, como a Neuropsicologia Cognitiva, a
Psicologia Cognitiva, a Linguística, as Ciências Sociais e a Comunicação
Social. Para saber mais, acessem o site http://www.discourses.org/

No dia 18 de janeiro de 2011 às 14:00 o Prof. van Dijk oferecerá uma
conferência mais ampla, sobre Discurso e Conhecimento, especialmente
interessante para aqueles que estudam epistemologia, tipos de conhecimento e
estratégias de gestão do conhecimento durante o processamento textual.

No dia 19 de janeiro de 2011, o Prof. van Dijk oferecerá um workshop sobre
Discurso e Cognição Social, focado na a compreensão dos processos
pragmáticos envolvidos na construção de representações mentais das situações
comunicativas (modelos de contexto). Para este workshop há vagas limitadas,
dirigidas a um público de pesquisadores e estudantes interessados em debater
idéias e aperfeiçoar-se nessa área.Os interessados devem inscrever-se na
secretaria dos cursos de Especialização da Psicologia (especpsico@ufrgs.br).
O horário do workshop será divulgado para os participantes inscritos
(informar email no ato da inscrição).

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tecoms* 7 - Barthes, Morin e Baudrillard; Kristeva, Metz e Bourdieu; Virilio, Sfez e Maffesoli; P. Levy, Wolton e Debord

* Teorias da Comunicação

Prosseguimos com o nosso “Quadro Geral das Teorias da Comunicação.

9) O PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO FRANCÊS EM COMUNICAÇÃO

- Vale lembrar a já citada inadequação metodológica da didática de agrupar estudiosos em escolas, tendências etc, sobretudo ao falarmos do que foi e é produzido recentemente entre os teóricos franceses - ou radicados na França -, pois tais autores com freqüência divergem entre si.

- Porém, em comum, podemos dizer que os teóricos franceses são marcados pela cultura intelectual do pós-estruturalismo e da “desconstrução” do saber, predominante atualmente na França.

O ESTRUTURALISMO, linha de estudos iniciada pelo antropólogo Claude Lévis-Strauss, também francês, indica a importância da estrutura como sistema de relações (parentesco, troca econômica etc) na sociedade baseada em oposições binárias (amigo/inimigo, rico/pobre...)

Os teóricos franceses contemporâneos da comunicação podem, muitas vezes, ser definidos como “pós-estruturalistas” porque rejeitam essa “binariedade”, sustentando que as relações sociais seriam muito mais complexas

- O ano de 1960 foi um marco para eles, com a fundação do Centro de Estudos de Comunicação e Massas (Cecmas).

- Em 1968, o Cecmas lançou a Revista Communications, na qual autores como Roland Barthes, Edgar Morin, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Christian Metz, entre outros, passaram a publicar seus textos.

- Há TRÊS EIXOS DE ESTUDOS da comunicação explorados pelos intelectuais franceses:

1 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO EXTREMO: não há meios de reduzir os MCS à lógica da utilidade social. Baudrillard é um dos que sustenta essa hipótese

2 - A COMUNICAÇÃO COMO FENÔMENO DE DOMINAÇÃO: a sociedade é dominada por intermédio dos MCS, mas ainda pode ser libertada, se for feito um bom uso desses meios. Partilham dessa linha Pierre Bourdieu, Paul Virilio e Lucien Sfez.

3 - A COMUNICAÇÃO COMO VÍNCULO SOCIAL COMPLEXO: os MCS são um fator de vínculo, ligação entre as pessoas - para o bem (integração social, por exemplo) e para o mal (pedofilia na Internet), e é aí que entra a COMPLEXIDADE; essa interpretação é defendida por Michel Maffesoli, Pierre Levy e Dominique Wolton.

Vamos, então, a pinceladas, MESMOS SE DE FORMA NÃO ORDENADA, sobre alguns desses autores, limitando-nos, devido à riqueza mas também ao caráter polêmico das suas idéias, a acenos, expressões e idéias atribuídas a eles pelo professor Juremir Machado da Silva (PUC-RS), no livro “Teorias da Comunicação – Conceitos, Escolas e Tendências”:

- Pierre Lévy saúda as novas tecnologias como a Internet, afirmando que o mundo virtual supera a pirâmide “um-todos” pelo “processo comunicacional todos-todos”, democratizando a possibilidade de emissão das mensagens

- Já Virilio vê as novas tecnologias com desconfiança. Teme “a ‘ausência de isolamento’, modalidade pós-moderna e sofisticada de encarceramento do ser na ilusão coletiva”.
- Morin afirma que a mídia alimenta-se das mensagens que lhe vêm do mundo que por sua vez é alimentado pelas mensagens que a mídia emite

- Maffesoli diz que a imagem funciona como um totem ao redor do qual comungam os espectadores

- Gui Debord afirma que vivemos numa “sociedade do espetáculo” - que dá, aliás, título a seu importante livro de 1967

- Baudrillard fala de “sociedade de consumo”, “maiorias silenciosas” e “estratégias fatais”
- Lévy saúda o “emissor-receptor”

- Já Sfez diz que existe apenas “emissor-receptor-interlocutor-lobotomizado*”

* lobotomia: uma secção (corte) no lobo frontal (região do cérebro) indicada, entre outros casos, em situações de “dores intratáveis de outra forma”, como explica o dicionário Aurélio.
- Pierre Bourdieu, em “Sobre a Televisão” (1997) faz uma investigação sobre o cotidiano do campo jornalístico atribuindo aos jornalistas pelo menos conivência com os procedimentos de dominação dos MCS

- Ainda Sfez fala de “tautismo” expressão forjada com a junção das palavras “tautologia”** e “autismo”

** Tautologia: “Vício de linguagem que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa; (Filos.): Erro lógico que consiste em aparentemente demonstrar uma tese repetindo-a com palavras diferentes”. (Dicionário Aurélio)

- Sfez, Virilio e Baudrillard refletem sobre a idéia de que vivemos numa “sociedade panóptica”, segundo a interpretação do filósofo, também francês, Michel Foucault em sua teorias sobre a poder e vigilância***. Historicamente, o panóptico é um modelo arquitetônico idealizado no século XIX por Jeremy Bentham (1748-1832), com o objetivo confinar pessoas - em fábricas, presídios, hospícios etc. Essas pessoas vêem (e vigiam) outros confinados sem saber se estão sendo vistas ou não.

*** “O Panóptico é uma torre circular oca, com um pátio central, rodeado por pequenas celas orientadas para o centro do círculo. Mesmo fazendo parte do mesmo conjunto, as celas não se comunicam entre si, são separadas por paredes. Na superfície que dá para o exterior, cada cela apresenta uma vasta janela, permitindo entrar a luz. Seu lado oposto é gradeado, permite quem está dentro estar continuamente visível para quem se situe no meio. Dentro desta torre há outra torre, localizada no centro. Lá, ficam os vigilantes observando através de seteiras. O esquema é tal que nunca os confinados sabem se estão sendo vistos ou não. Na incerteza, se vigiam a si mesmos” (FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis, Vozes, 26ª ed., 1987).

- E voltamos a Bourdieu que afirma a existência de uma “circularidade da informação”: “a mídia fala dela mesma; pauta-se por outros veículos da mídia; saiu do acontecimento para entrar no culto à personalidade”.

- Para Morin, entretanto, “ninguém ou quase [ninguém] se encontra destituído de algum poder de intervenção [em relação ao predomínio dos MCS na sociedade]”

Como conclusão deste item número 9 sobre os teóricos franceses contemporâneos, apresentamos a seguinte citação, do professor Juremir mencionado acima: “Mesmo se discordam entre si, os [teóricos] franceses parecem ter um ponto em comum: tudo é comunicação; chegou a hora da comunicação total, da vertigem do signo, da circulação permanente, da avalanche comunicacional, que tudo permeia, contamina, devora, impregna, devasta”.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Minhas Leituras

Queridos amigos e amigas,


[Salto a introdução deste post, que pode ser lida em:
http://migre.me/3R6Uh ]

Segue uma lista de obras lidas, agrupadas por assuntos, a fim de apresentar as áreas de meu interesse, tais quais Teorias da Comunicação, Literatura Universal, Sociologia e Ciências Sociais, entre outras.


Segue a lista, subdvidida em alguns grupos.

Obras sobre Teorias da Comunicação

(incluindo algumas filosóficas e sociológicas que têm servido de base às teorias de comunicação, como as de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Pierre Bordieu; e ainda livros sobre jornalismo e comunicação em geral)

Teorias da Comunicação – Conceitos, escolas e tendências – Holfeldt, Martino, Vera França Vozes

O que é virtual? – Pierre Lévy – Editora 34

As teorias da comunicação – Roberto Elísio dos Santos – Paulinas

História das Teorias da Comunicação – Armand e Michelle Mattelart – Loyola

Teoria da Comunicação de Massa – Luiz Costa Lima (org) – Paz e Terra6 (5ª Ed) - Incluindo alguns dos principais textos clássicos publicados até 1969, data da primeira edição, a saber:

- Indústria Cultural (Theodor Adorno e Max Horkheimer)

- A Obra de Arte na Época de sua reprodutibilidade técnica – Walter Benjamim
- entre outros ensaios clássicos das Teorias da Comunicação dos seguintes autores: Abraha Moles, Paul Lazarsfeld, Robert Merton, David Riesman, Marshall McLuhan, Hebert Marcuse, Edoardo Sanguineti, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Roland Barthes e Erwin Panofsky

Microfísica do Poder – Michel Foucault (Roberto Machado – org) – Graal

A Cultura da Mídia – Douglas Kellner – USC

Guy Debord – A Sociedade do Espetáculo – Comentários sobre a cultura do Espetáculo – Contraponto

Antropológica do Espelho – Muniz Sodré – Vozes

A Identidade Cultural na Pós-Modernidade – Stuart Hall – DP&A

Da Diáspora (leitura quase total) – Stuart Hall – Org.: Liv Sovik – Humanitas UFMG

A Sociedade em Rede – Vol 1.: A era da informação – Manuel Castells – Paz e Terra
O Cinema e a Invenção da Vida Moderna – Leo Charney e Vanessa Schwartz (Orgs.) Cosacnaify

(produzi dois textos a abordando este livro)

Sobre a Televisão – Pierre Bordieu – JZE

A Distinção – Pierre Bordieu – Edusp – Zouk

Revista Cult – Número temático sobre Pierre Bourdieu  – Ago Set 2008

O Mal-estar da Pós-modernidade – Zygmunt Bauman – Zahar

Cultura Híbridas6 – Nestor Garcia Canclini – Edusp

Dos Meios às Mediações – Jesús Martín-Barbero- UFRJ

Sobre a Televisão – Pierre Bordieu JZE

Brasilidade Televisiva e Ritos Reality de Personalização - Suzana Kilpp e Sonia Montaño, professora e aluna de mestrado na Unisinos (Trabalho sobre os programas BBB e Casa dos Artistas apresentado no XXVIIICongresso Brasileiro de Ciências de Comunicação)

Matrix, o Fim do Panóptico – Katia Maciel – ensaio publicado na Revista Lugar Comum: Estudos de Mídia, Cultura e Democracia (ECO – UFRJ) .

Cerca de 150 páginas sobre Sound Studies, linha recente de estudos que procuram dar conta do impacto cultural e social das tecnologias de som, especialmente, na modernidade, mas também a partir de uma história e de uma “arqueologia” do fenômeno sonoro. Trata-se de uma linha de pesquisa que, além de observar as conseqüências das tecnologias do som, como o walkman e o iPod, apontam para as questões da saturação do ambiente sonoro na atualidade e da comunicabilidade humana em crise. São textos em inglês de autores como Jonathan Sterne, Rick Altman, Michel Chion, Emily Thompson, Paul Hegart, Patrick Burkat, Andre Millard, Keir Keightley, Will Straw, Michael Bull, Theodor Adorno, e, ainda, da brasileira Simone de Sá (professora da UFF, que se destaca nessa linha de estudos em nosso País).

Não Contem com o Fim do Livro   - Umberto Eco e Jean-Claude Carrière

Cultura da Convergência  – Henry Jenkins – Aleph

Conversações Gilles Deleuze  – Editora 34

Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem – Marshall McLuhan – Cultrix

O Controle da Opinão Pública - Nilson Lage – Ipej/Vozes

O papel do jornal – Alberto Dines – Summus

O Rádio Sem Onda6 – Marcelo Kischinhevsky

Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia

Abaixo o nada a declarar: O assessor de imprensa na era da globalização – Boanerges Lopes - Zabelê

Notícia: Um Produto à Venda: Jornalismo na Sociedade Urbana e Industrial – Cremilda Medina – Summus (Leitura fichada)

O Planeta Mídia – Dênis de Moraes – Letra Livre

Minha Razão de Viver: Memórias de um Repórter - Samuel Wainer (Biografia) – Record

Cobras Criadas - David Nasser e [a Revista] o Cruzeiro – Luiz Maklouf Carvalho - Senac

Chatô – Rei do Brasil – Fernando Morais – Companhia das Letras 

Deus é Inocente, a imprensa, não - Carlos Dorneles (criticando teorias como a do "choque de civilizações")

Muito Além do Jardim Botânicos (estudo sobre o Jornal Nacional) – Carlos Eduardo Lins e Silva - Summus5

Manual de Radiojornalismo – Heródoto Barbeiro e Paulo Lima - Campus

Manual de Radiojornalismo Jovem Pan – Maria Elisa Porchat

Manual de redação da Folha de S. Paulo*

Manual de redação de O Globo*

Manual de redação de O Estado de S. Paulo*

*Não tenho mais esses livros, portanto, não lembro exatamente os títulos e outras informações da edição.

Telenovela: história de Produção – R.Ortiz, Silvia Borelli, José Mário O. Ramos - Brasiliense

Obras da área da interpretação sociológica e antropológica da cultura brasileira

O Abolicionismo – Joaquim Nabuco

Os Sertões – Euclides da Cunha

Raízes do Brasil – Sergio Buarque de Holanda

Literatura brasileira e universal, filosofia e mitologia

O Livro de Ouro da Mitologia6(consulto sempre como referência) - Thomas Bulfinch - Ediouro

O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder - Cia das Letras

Introdução à Filosofia –Problemas, Sistemas, Autores, Obras – B.Mondim – Paulinas

O Fenômeno Humano – Theilard de Chardin (Leitura parcial)

A Utopia  - Thomas More

Ilíada – Homero

Odisséia – Homero

Eneida – Virgílio

Dom Quixote – Miguel de Cervantes

Os Lusíadas - Camões

A Divina Comédia – Dante

O Príncipe – Maquiavel

Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez

O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint Exupéry

O Homem que Calculava – Malba Tahan

Dom Casmurro – Machado de Assis

Quincas Borba – Machado de Assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Esaú e Jacó – Machado de Assis (leitura parcial)

A Mão e a Luva – Machado de Assis

Viagens de Gulliver – Jonathan Swift

1984 – George Orwell

A Revolução dos Bichos - George Orwell

A Volta ao Mundo em 80 Dias – Julio Verne

O Quinze – Raquel de Queiroz

O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo

O Grande Mentecapto – Fernando Sabino

O Ateneu – Raul Pompéia

O Cortiço – Aluísio Azevedo

Como e por que Ler os Clássicos Universais desde Cedo – Ana Maria Machado

Carlos Drummond de Andrade – Antologia Poética

Os Cem Melhores Poemas do Século XX – Seleção: Ítalo Morriconi

Leituras com meus filhos ( entre tantos outros livros)

20 Mil Léguas Submarinas - Julio Verne**

Viagem ao Centro da Terra - Julio Verne **

** Edições infantis

Sítio do Pica-pau Amarelo – Monteiro Lobato

Polyana Menina – Eleanor Poter

Fábulas de Esopo

Contos dos Irmãos Grimm

Fábulas de La Fontaine

Fábulas de Lenardo da Vinci

Robinson Crusoé – Daniel Defoe